quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Os grandes arrepios

ARNALDO JABOR
O Estado de S Paulo, 17-agosto 2010

Hoje começa o circo da propaganda eleitoral, o desfile de horrores da política brasileira. Os dois carros-chefes do desfile, Dilma e Serra, correrão na frente de um trem fantasma de caras e bocas e bochechas que traçam um quadro sinistro do Brasil, fragmentado em mil pedaços - o despreparo, a comédia das frases, dos gestos, das juras de amor ao povo, da ostentação de dignidades mancas.

Os candidatos equilibram bolas no nariz como focas amestradas, dão "puns" de talco, dão cambalhotas no ar como babuínos de bunda vermelha, voando em trapézios para a macacada se impressionar e votar neles. Os candidatos têm de comer pastéis de vento, de carne, de palmito, buchada de bode e dizer que gostaram, têm de beber cerveja com bicheiros e vagabundos, têm de abraçar gordos fedorentos e aguentar velhinhas sem dente, beijar criancinhas mijadas, têm de ostentar atenção forçada aos papos com idiotas, têm de gargalhar e dar passinhos de "rebolation" quando gostariam de chorar no meio-fio - palhaços de um teatrinho absurdo num país virtual, num grande pagode onde a verdade é mentira e vice-versa.

Ninguém quer o candidato real; querem o que ele não é. A política virou um parafuso espanado que não rola mais na porca da vida social, mas todos fingem que só pensam no povo e não em futuras maracutaias.

Arrepios voltaram. Ninguém sabe o que vai acontecer. Só nos resta o mau ou bom agouro, o palpite, a orelha coçando, o cara ou coroa. Meu primeiro arrepio foi em 54. Estou do lado do rádio e ouço o Repórter Esso: "O presidente Vargas acaba de se suicidar com um tiro no peito!" O mundo quebrou com o peito de Getúlio sangrando, as empregadas correndo e chorando.

Estou no estribo de um bonde, em 61. "O Jânio Quadros renunciou!", grita um sujeito. Gelou-me a alma. Afinal, eu votara pela primeira vez naquele caspento louco (o avô "midiático" do Lula), mais carismático que o careca do general Lott. Eu já sentira arrepios quando ele proibiu biquínis nas praias. Tínhamos elegido um louco - não seria o único...

Em 64, dias antes do golpe militar - o comício da Central do Brasil. Serra também estava, falando, de presidente da UNE. Clima de vitória do "socialismo" que Jango nos daria (até para fazer "revolução" precisamos do governo...). Tochas dos bravos operários da Petrobrás, hinos, Jango discursando, êxtase político: seríamos a pátria do socialismo carnavalesco. Volto para casa, eufórico, mas, já no ônibus, passando no Flamengo, vejo uma vela acesa em cada janela da classe média, em sinal de luto pelo comício de "esquerda". Na noite "socialista", cada janela era uma estrelinha de direita. "Não vai dar certo essa porra..." - pensei, arrepiado. Não deu.

Ainda em 64, festa do "socialismo" no teatro da UNE. 31 de março, 11 da noite. Elza Soares, Nora Ney, Grande Otelo comemoram o show da vitória. No dia seguinte, a UNE pegava fogo, apedrejada por meus coleguinhas fascistas da PUC. Na capa da revista O Cruzeiro, um baixinho feio, vestido de verde-oliva me olha. Quem é? É o novo presidente, Castelo Branco. Corre-me o arrepio na alma: minha vida adulta foi determinada por aquele dia. O sonho virou um pesadelo de 20 anos.

Depois, vem o Costa e Silva, outro arrepio, sua cara de burro triste e, pior, sua mulher perua brega no poder. Aí, começaram as passeatas, assembleias contra a ditadura. Costa e Silva tinha alguns traços populistas e resolveu dialogar com os líderes do movimento democrático. Uma comissão vai conversar com o presidente. Aí, outro absurdo - os membros da comissão se recusam a vestir paletó e gravata na entrada do palácio: "Não usamos gravatas burguesas!" e o encontro fracassa. Ninguém lembra disso; só eu, que sou maluco e olho os detalhes.

Tancredo entrou no hospital e arrepiou-me o sorriso deslumbrado dos médicos de Brasília no Fantástico, amparando o presidente como um boneco de ventríloquo; tremeu-me o corpo quando vi que nossa história fora mudada por um micróbio em seu intestino.

Arrepiou-me ver o Sarney, homem da ditadura, posando de "oligarca esclarecido" na transição democrática, com seu jaquetão de "teflon", até hoje intocado. Assustei-me com a moratória de 87, aterrorizou-me a inflação de 80% ao mês. E, depois, vejo a foto do Collor na capa da Veja - com todo mundo dizendo: "Ele é jovem, bonito, macho...", revirando os olhos numa veadagem ideológica. Foi um período tragicômico, com a nação olhando pela fechadura da "Casa da Dinda" para saber do seu destino. Depois o período do "impeachment", dos caras-pintadas, num breve refresco dos arrepios. Durante Itamar, a letargia jeca-tatu, só quebrada pela mudança na economia com o Plano Real que FHC fez (que depois foi roubado pelo Lula, claro...). Aí, 1994, o ano da esperança, Brasil tetra na Copa e um grande intelectual de esquerda subindo ao poder. Mas meu arrepio histórico logo voltou, quando vi que a Academia em peso odiava FHC por inveja e rancor, criando chavões como "neoliberalismo", "alianças espúrias" (infantis, comparadas com a era Lula). Os radicais de cervejaria ou de estrebaria não deram um escasso crédito de confiança a FHC que veio com uma nova agenda, para reformar o Estado patrimonialista.

Durante o mandato, o próprio governo FHC cometeu seu erro máximo que até hoje repercute - não explicou didaticamente para a população a revolução estrutural que realizava: estabilização da economia, lei de responsabilidade fiscal, privatizações essenciais, consolidação da dívida interna, saneamento bancário que nos salvou da crise de hoje, telefonia, tudo aquilo que, depois, Lula desapropriou como obra sua. É arrepiante ver a mentira com 80% de ibope.

Arrepiou-me a morte de Sergio Motta, Mário Covas e Luís Eduardo Magalhães, levando para o túmulo a autoestima do PSDB, o partido que se esvai e apanha calado.

Hoje, estamos diante do mistério: Dilma ou Serra? Teremos a sabotagem radical de tropas pelegas impedindo Serra de governar ou o "revival" do arremedo de socialismo que já era ridículo em 63? Arrepio-me.

Carta a um grande amigo.

Por Eduardo Aguiar
Meu caro e grande amigo,
Leio sempre que posso, aos domingos, os artigos desse jovem senhor de 80 anos, o Poeta Ferreira Gullar. Sou fã dele . Para mim é sempre um prazer ler seus artigos e livros que falam sobre arte, critica de arte e, de política. Para mim, suas reflexões têm um valor inestimável , pois são reflexões de um "artista" idealista que viveu intensamente os tempos em que se lutava pelos ideais de liberdade e democracia no Brasil e mundo afora.
Foi comunista, perseguido político pela ditadura, exilado em Moscou , na Argentina, e por muito pouco escapou de não ser um dos milhares de desaparecidos politicos no Chile.
Portanto suas opiniões e criticas a respeito da politica no Brasil e sobre o nosso presidente não as opiniões de qualquer um. Suas criticas não me parecem ser fruto de imcompreensão ou antipatia pelo lula. Pelo contrário, me parecem que são construídas com a devida parcimônia, baseadas numa análise lógica e imparcial dos fatos que vêm ocorrendo no governo lula desde o seu início e que falam por si mesmos.
As críticas do Ferreira Gullar refletem uma progresiva desilusão e desencanto com os rumos escolhidos por aquele a quem foi confiada a tarefa de dirigir esse grande país .
Estou com ele nessa reflexão.
No início achava que os deslizes iniciais das quais Luiz inácio Lula da Silva era sempre a vítima, eram devido a sua baixa escolaridade,..... ou devido à sua inexperiência no poder, e que com o tempo seriam superadas. Afinal, todos nós sabemos que o Brasil não é para principiantes.
No entanto, meu caro amigo, acho que a coisa só tem piorado.Começando pelo escândalo do mensalão, que ele sabia de tudo, tentou se omitir e depois encobrir os fatos, até às suas recentes atitudes, quando comparou de forma até desdenhosa , a greve de fome de um dos prisioneiros cubanos que morreu em protesto político à ditadura de Fidel, com criminosos do PCC , esse sujeito aí é muito distante daquele Lula que de antes de ser presidente, e que encantava a todos nós pela sua trajetória de vida, por ter sido menino pobre , pau de arara que tornou-se metalurgico e líder sindicalista, etc.. etc.. e que chegou a presidência .
Naquele momento ele personificava a esperança da liberdade, da moralidade e da ética e da justiça sobre o Brasil autoritário e injusto do passado. Muitos votaram nele por acreditar nisso.
Mas hoje, diante dessas atitudes eu não tenho dúvidas de que aquele sujeito vendeu a alma ao diabo para permanecer no poder e que o poder subiu-lhe a cabeça.
Também não tenho duvidas de que a sujeira é grande, mas cabia a ele ao menos limpá-la, para dar o exemplo , afinal ele é o líder...... No entanto , pelo que se vê, parece-me que ele tem feito justamente o contrário , e a sujeira que ficou nas mãos foi tanta que pelo jeito entrou na sua corrente sanguínea. Não tem mais jeito. Acho ilusão ver algo diferente disso.
Sobre ser o timoneiro, como pode um comandante manter a disciplina , a moral da tripulação, de ser respeitado e admirado, de manter a autoridade de forma legítima diante de seus comandados, se ele diante das adversidades que são inerentes ao ofício, facilmente sucumbe aos piores vícios , e escolhe comportar-se como um sujeito desmoralizado, despido de quaisquer valores éticos por acreditar que esse seja o único meio de continuar no posto de comandante. Ora.....
Muitos votaram nele por acreditar que ele seria capaz de fazer política diferente disso.
Não é implicância nem antipatia por ele ter sido pobre, nordestino ou e sem educação, ou etc.. etc... mas por ele ter não seguido o caminho dos justos, dos homens honestos e de boa fé. Hoje é só decepção. É isso.
Em tempo, A Dilma , mal começou já sujou as mãos "limpando " a barra do filho de Sarney junto a Receita Federal . O filho de Sarney, desviou milhões de dólares para a suíça, e com esse dinheiro todo e influência politica , fez a justiça censurar um jornal para ninguem ficar sabendo disso.
Imagine depois de eleita.
Um Abraço grande,

----- Original Message -----

BOLÍVAR LAMOUNIER - A 'mexicanização' em marcha

O processo sucessório presidencial em curso comporta dois cenários marcadamente assimétricos, conforme o vencedor seja José Serra ou Dilma Rousseff. Se for José Serra, não é difícil prever a cerrada oposição que ele sofrerá por parte do PT e dos "movimentos sociais", entidades estudantis e sindicatos controlados por ele - e, provavelmente, do próprio Lula. Se for Dilma Rousseff - como as pesquisas estão indicando -, o cenário provável é a ausência, e não o excesso, de oposição. Para bem entender esta hipótese convém levar em conta dois fatos adicionais. Primeiro, o cenário Dilma não se esgota na figura da ex-ministra. Ele inclui, entre os elementos mais relevantes, o controle de ambas as Casas do Congresso Nacional pela dupla PT e PMDB. Inclui também uma entidade institucional inédita, personificada por Lula. Semelhante, neste aspecto, a um aiatolá, atuando de fora para dentro do governo, Lula tentará, como é óbvio, influenciar o conjunto do sistema político no sentido que lhe parecer conveniente ao governo de sua pupila ou a seus próprios interesses. Emitirá juízos positivos ou negativos, em graus variáveis de sutileza, sobre medidas tomadas pelo governo e regulará não só o comportamento da base governista no Congresso, mas também os movimentos de sístole e diástole da "sociedade civil organizada" - entendendo-se por tal os sindicatos, segmentos corporativos e demais organizações sensíveis à sua orientação. O segundo fato a considerar é a extensão da derrota que Lula terá conseguido impor à oposição. Claro, a eventual derrota será também consequência das ambiguidades, das divisões e dos equívocos da própria oposição, mas o fator determinante será, evidentemente, a ação de Lula e do esquema de forças sob seu comando. Deixo de lado, por óbvio, as condições econômicas extremamente favoráveis, o Bolsa-Família, a popularidade do presidente, etc.
José Serra ficará sem mandato até 2012, pelo menos. No Senado - a menos que sobrevenha alguma reorganização das forças políticas -, Aécio Neves fará parte de uma pequena minoria parlamentar, situação em que ele dificilmente exercerá com desenvoltura as suas habilidades políticas. Nos Estados, os governadores eventualmente eleitos pelo PSDB, sujeitos ao torniquete financeiro do governo federal, estarão igualmente vulneráveis ao rolo compressor governista. Longe de mim subestimar lideranças novas, como a de Beto Richa, no Paraná, e a de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Mas não é por acaso que Lula já se apresta a batalha por São Paulo, indicando claramente a sua disposição de empregar todo o arsenal necessário a fim de reverter o favoritismo tucano neste Estado. Resumo da ópera: no cenário Dilma, o conjunto de engrenagens que Lula montou ao longo dos últimos sete anos e meio entrará em pleno funcionamento, liquidando por certo período as chances de uma oposição eficaz. A prevalecer tal cenário, parece-me fora de dúvida que a democracia brasileira adentrará uma quadra histórica não isenta de riscos.
É oportuno lembrar que o esquema de poder ora dominante abriga setores não inteiramente devotados à democracia representativa, adeptos seja do populismo que grassa em países vizinhos, seja de uma nebulosa "democracia direta", que de direta não teria nada, pois seus atores seriam, evidentemente, movimentos radicais e organizações corporativas. Claro indício da presença de tais setores é a famigerada tese do "controle social da mídia", eufemismo para intervenção em empresas jornalísticas e imposição de censura prévia.
Na Primeira República (1889-1930), a "situação" - ou seja, os governantes e seus aliados nos planos federal e estadual - esmagava a oposição. Foram poucas e parciais as exceções a essa regra. Mas a estratégia levada a cabo por Lula está indo muito além. É abrangente, notavelmente sagaz e tem um objetivo bem definido: alvejar em cheio a oposição tucana. Para bem compreendê-la seria mister voltar ao primeiro mandato, ao discurso da "herança maldita", sem precedente em nossa História republicana no que se refere ao envenenamento da imagem do antecessor; à anistia, retoricamente construída, a diversos corruptos e até a indivíduos que se aprestavam a cometer um crime - os "aloprados"; e aos primórdios da estratégia especificamente eleitoral, ao chamado confronto plebiscitário, em nome do qual ele liquidou no nascedouro toda veleidade de autonomia por parte de quantos se dispusessem a concorrer paralelamente a Dilma Rousseff. A Ciro Gomes Lula não concedeu sequer a graça de uma "sublegenda", para evocar um termo do período militar.
Para o bem ou para o mal, a única oposição político-eleitoral potencialmente capaz de fazer frente ao rolo compressor lulista é a aliança PSDB-DEM-PPS. No horizonte de tempo em que estou pensando - digamos, os próximos quatro anos -, não há alternativa. Portanto, a operação a que estamos assistindo, com seu claro intento de esterilizar ou virtualmente aniquilar essa aliança, coloca-nos nas cercanias de um regime autoritário.
Sem a esterilização ou o aniquilamento político-eleitoral da mencionada coalizão, não há como cogitar de um projeto de poder hegemônico, de longo prazo e sem real alternância de poder. A esterilização pode resultar de uma estratégia deliberada por parte do comando político existente em dado momento, de uma conjunção de erros, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas - ou de ambas as coisas.
Sociologicamente falando, não há funcionamento efetivo da democracia, quaisquer que sejam os arranjos constitucionais vigentes, num país onde não exista uma oposição eleitoralmente viável. Haverá, na melhor das hipóteses, um autoritarismo disfarçado, um "chavismo branco" ou, se preferem, um regime mexican style - aquele dominado durante seis décadas pelo PRI, o velho Partido Revolucionário Institucional mexicano.

O uso da imagem do Lula por Serra.

Por Eduardo Aguiar.
A oposição vem tendo dificuldades de mostrar as qualidades individuais dos seus candidatos frente a imensa popularidade do Lula e ao uso abusivo da máquina do governo nessa eleição, em razão disso, a única opção possível no momento parece ser de fazer uso da imagem do candidato junto a imagem do presidente Lula para ver se assim chega-se a uma “igualdade de condições entre os candidatos”. Acho que essa estratégia é dirigida aos eleitores menos esclarecidos para eles mudarem o foco e prestarem mais atenção ao perfil individual dos seus candidatos e não simplesmente votarem em qualquer candidato apenas por ter a sua imagem colada a imagem de Lula. Para o eleitor, é aquela coisa, “bom, se todos têm o Lula ao seu lado, vou agora ver quais são as diferenças e as qualidades entre eles. Se é ético ou se vai funcionar , não sei. Gostem ou não, o Lula é um líder popular. Acho um erro, vergonhoso e até covarde o PSDB esconder FHC, por mais impopular que ele tenha sido. Afinal, o governo dele teve mais méritos do que defeitos se levarmos em conta o CAOS que era o Brasil antes dele e que ele ajudou a mudar.. É consenso entre os economistas mais respeitáveis que a estabilização da economia do país deve-se ao governo FHC e de que sem a estabilização, o Brasil não poderia estar crescendo como hoje está no governo Lula. A estabilização da economia, como o fim da inflação, custou um enorme sacrifício, obrigou o governo e a sociedade a “apertarem o cinto”, a controlar os gastos e isso ninguém gosta, isso não é popular. De uma coisa eu tenho certeza: O que a campanha do PT menos deseja é que o povo possa acreditar que Serra possa continuar o governo atual assim como o Lula continuou muita coisa do governo de FHC. Por isso que o PT tenta a todo custo negar tudo que foi realizado no Brasil no governo FHC e continuado e pelo governo Lula. Essa coisa de um grupo querer se firmar no poder negando da realização e os méritos do grupo antecessor não é novidade na política nem na vida. O que não acho correto é o grupo negar e ao mesmo tempo se apropriar dos feitos do grupo anterior , como o PT vem fazendo sistematicamente. Outro dia disseram que a inflação acabou quando o Lula assumiu o governo. Esse vídeo do Lula antes de ser eleito, falando mal dos programas assistencialistas como bolsa escola, bolsa gás e outros do governo do governo FHC não é surpresa, pois ele e o PT durante os 8 anos de FHC fizeram oposição cerrada ao plano de estabilização da economia.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A cigarra e a formiga.

Por Eduardo Aguiar
It’s the economy, stupid! Frase da campanha de Bill Clinton...A economia ruim foi o que elegeu Clinton numa eleição fácil...contra George Bush pai. No Brasil de hoje é a economia que anda bem e isso faz com que as pessoas prefiram votar na candidata desconhecida e incompetente que o Lula mandou votar. A classe média brasileira está abestalhada, satisfeita consumindo tudo que pode, achando que o país é uma suécia, delirante....esquecem da precariedade dos serviços públicos, da falta de investimentos na infraestrutura, na violência, da corrupção, etc.. Enfim, da Merda que o país é.
Preferem acreditar no Brasil da propaganda eleitoral de Dilma. O brasileiro é imediatista pela sua própria natureza. O que interessa é o hoje e hoje todo mundo está com dinheiro, emprego e consumindo. Nada mais importa. Lula faz jogo da galera com o uso do dinheiro público.
Amanhã é outro dia..... São as como as cigarras na fábula da cigarra com a formiga. Hoje é tempo de farra...... mas amanhã o inverno chegará e junto com ele, a conta das despesas junto com os tucanos ou qualquer outro partido menos irresponsável e oportunista que o PT para "consertar a casa" e aí começará tudo de novo........

Stalinismo

Por Eduardo Aguiar
Amigos,
O Jabour é conhecido hoje em dia por alguns como sendo um sujeito "reacionário" porque acusa o governo lula de estar levando o Brasil para o Stalinismo.
Eu, na minha ignorância antes de saber o sentido amplo do termo "Stalinismo" achava que ele exagerava nas suas críticas ao governo Lula, chamando-o de comunista, mas hoje depois de ler um pouco mais a respeito sobre o Stalinismo , vejo que a sua crítica não era infundada.
Convido os amigos a lerem mais a respeito, no Wikipedia , ou noutras fontes se quiserem ser mais "eruditos".
O Site do PSTU esclarece bem o termo e as diferenças entre as correntes socialistas de Trotsky, Lenin e Stalin.
Acho até mesmo que a critica de Jabour segue bem a linha critica do PSTU que acusa o governo Lula de ser de linha "Stalinista".
Tirando a violência e a perseguição política que são práticas caracteracterísticas dos regimes totalitários, fica fácil ver que são muitas as semelhanças "político-ideológicas " do governo do Lula com o que se conhece vulgarmente como "Stalinismo".
Para muitos Marxistas, Stalinismo ao contrário do que se pensa, não tem nada a ver com aquilo que conhecemos como Comunismo e como a tomada do poder pela classe trabalhadora, e até mesmo com o Socialismo.
Para defensores das idéias de Marx, o Stalinismo tem mais a ver com a perversão dos seus ideais, e muito mais a ver com a centralização do poder do estado na mão de poucos que é quem explora o proletariado e que tem como feito principal, a burocratização do Estado.
Nesse caso teríamos que se chama de "aparelhamento do estado" por um "partido único".
Lá na URSS o partido único foi o partido comunista, aqui seria pelo PT seus partidos aliados.
O Stalinismo não admite a existência do capitalismo de mercado, onde a propriedade dos meios de produção encontra-se dispersa, isto é, pertence aos cidadãos, mais ou menos organizados em empresas, ou ao Estado, frequentemente aparecendo ambos em parceria.
No regimes " Stalinistas" há o que se chama de capitalismo de Estado. No Capitalismo de Estado, o estado detém a propriedade de quase todos os meios de produção, que teoricamente pertenceria ao povo, mas que na prática tem seu controle pertencente a um partido político.
O receio que muitos tem em relação ao excessivo poder nas mãos de Lula e do PT é com relação ao perigo que isso pode trazer ao Brasil.
A máquina pública usada politicamente pelo partido junto com a popularidade do Lula poderiam juntos ser usados como instrumentos para transformar o Brasil num país de regime " Stalinista" ou " Neo -Stalinista", onde o capitalismo de mercado seria trocado por um capitalismo de estado.
Em relação ao que ocorre contexto político atual Isso não é delírio não.
A história mostra que o capitalismo de estado não é a melhor escolha sob o ponto de vista da economia pois nos moldes da União soviética ou da Alemanha não funcionou e ainda trouxe enormes prejuízos às liberdades individuais, a liberdade de imprensa além de ter acarretado um enorme atraso na educação e na cultura desses países.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stalinismo
http://www.pstu.org.br/autor_materia.asp?id=7675&ida=49
http://quartarepublica.blogspot.com/2009/04/capitalismo-de-estado-versus.html

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Continuidade e alternância

Continuidade e alternância
FERREIRA GULLAR
Folha SP 16-07-2010
Qual dos candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?

ATÉ O MOMENTO em que escrevo esta crônica, a situação dos dois principais candidatos à Presidência da República continua indefinida. A menos que haja uma súbita mudança na avaliação deles pelo eleitorado, a disputa deve se manter acirrada até o último momento.
Na opinião de Lula e do PT, Dilma Roussef vencerá o pleito e até, dizem eles, no primeiro turno. É natural que o digam, ainda que da boca para fora, porque se deixarem transparecer a mínima dúvida quanto à vitória, sua candidatura se desfará como um castelo de cartas.
E a razão disso é que essa candidatura se apoia única e exclusivamente na possibilidade de transferência da popularidade de Lula para a candidata que ele inventou.
Ela mesma, Dilma, nunca pretendeu candidatar-se a nenhum cargo eletivo, muito menos ao posto supremo da nação. Lula a inventou candidata apesar disso, mesmo porque não havia muito o que escolher dentro de seu partido.
A hipótese de Lula é que, apresentando Dilma como a continuadora de seu governo, que conta com mais de 70% de aprovação, ela seria eleita. Parece lógico, mas talvez não seja tão simples quanto parece.
Tudo depende de como o eleitor receberá a proposta de Lula, e depende também de como o candidato do PSDB se comportará em face dela. Se José Serra, de fato, não confrontar a tese de Lula, ela prevalecerá e Dilma terá grande chance de vencer as eleições. Mas e se, ao contrário, ele achar que a história não é bem assim, se entender que a continuidade administrativa é uma norma a ser seguida pelo futuro ocupante do Palácio do Planalto, seja ele quem for?
Aí a coisa muda de figura, pois retira da candidatura de Dilma o único argumento que efetivamente a sustenta, uma vez que ela não tem como provar que é capaz de governar o país, mesmo porque nunca governou sequer um Estado e nem mesmo um pequeno município.
Já Serra, se adotasse tal postura, teria um argumento decisivo no fato de que o governo Lula continuou o governo FHC e foi graças a isso que obteve o êxito que obteve.
Já imaginou se ele tivesse acabado com o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o superavit primário, o Proer e a política de juros do Banco Central, que viabiliza a luta contra a inflação? Foi o temor de que Lula não desse continuidade ao governo anterior que provocou a crise de 2002; continuidade que, na verdade, vem desde o governo Itamar Franco, e que permitiu ao Brasil enfrentar com êxito a crise de 2008.
Logo, se Lula, adversário feroz do governo FHC, o continuou, não há por que Serra não faça o mesmo com respeito ao governo Lula, que deu continuação às políticas implantadas pelo governo do PSDB.
Pois bem, se José Serra assumir claramente esse opção, como ficará a candidatura de Dilma? O fato de Lula afirmar que ela é a continuação de seu governo não é garantia de que ela será capaz de fazê-lo e com a inventividade necessária. O eleitor certamente perguntará: qual dos dois candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?
Se levar em conta a história de um e de outro candidato, a folha de serviços de cada um deles, poderá optar por Serra, cuja competência como gestor público está comprovada, no exercício destacado das funções de ministro da Saúde, prefeito e governador de São Paulo, além da atuação parlamentar de indiscutível eficiência.
Por outro lado, como pode Dilma convencer o eleitor de que é mais capaz que Serra de exercer as funções de presidente da República? Só a palavra de Lula não basta, já que tem interesse em manter o poder nas mãos de seu partido. Durante a campanha na TV, poderá o PSDB demonstrar que Dilma nunca desempenhou o papel que Lula lhe atribui (mãe do PAC etc.), porque a Casa Civil, que ela chefiou, tem funções de mera assessoria do presidente. Não realiza nada.
Isso sem lançar mão de outro argumento, de grande importância para o país, que é a alternância dos partidos no poder, que a vitória de Serra implicaria. Esse é um fator decisivo para a saúde do regime democrático, porque viabiliza o desmonte do aparelhamento da máquina estatal pelo partido (ou pelos partidos) que fique no poder por longo tempo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O poder do voto

Por Eduardo Aguiar
Cada um de nós é livre para votar de acordo com as suas convicções e conveniências.
No entanto, gostem ou não, as pesquisas mostram que só existem 2 candidatos com reais chances de serem eleitos nessa eleição: Serra ou Dilma.
E o que está em jogo nessa eleição é:
A continuidade versus A alternância do poder.
E Marina Silva como a fiel da balança nessa eleição.
Digo apenas isso.
Por outro lado, para quem não é eleitor do PT e de fato discorda dos rumos do governo atual e não deseja a sua continuidade, saiba que não vai adiantar para a consciência se Dilma eleita for, dizer depois que "fez a sua parte" votando em Mariana Sillva se Marina Silva não tinha a mínima chance de ser eleita ou que votou nulo ou em branco.
Particularmente sou pela alternância de poder. Votaria em Zé Mané para presidente se preciso fosse se Zé Mané fosse quem tivesse mais chances de tirar do poder essa "quadrilha" que atualmente comanda esse país, e que quer se perpetuar no poder através de Lula e agora com Dilma.

domingo, 18 de julho de 2010

Do fazer ao exibir-se

Folha de São Paulo 18 de julho 2010
FERREIRA GULLAR

Do fazer ao exibir-se
Questionei o fundamento do vanguardismo nas artes plásticas. Qual fator o fez manter-se só neste campo?

POR QUE o radicalismo de vanguarda, que surgiu com o movimento "dada", por volta de 1915, atravessou o século 20 e até hoje se mantém como tendência predominante nas artes plásticas?
Formulei essa pergunta há alguns anos sem conseguir respondê-la satisfatoriamente. Como se sabe, o movimento "dada", que teve como figuras principais Marcel Duchamp e Tristan Tzara -sem falar em Kurt Schwitters, Hans Arp e muitos outros-, caracterizou-se por um radicalismo que se voltava contra toda e qualquer busca de coerência ou princípios no processo de criação artística.
Se é verdade que o cubismo pôs fim à linguagem pictórica que nascera no Renascimento, o dadaísmo, ao contrário dos movimentos derivados daquele, tinha por lema a liberdade sem limites e a negação de tudo o que se considerasse arte. Era a antiarte, cujo ícone maior foi o urinol que Duchamp expôs em 1917. Se, paralelamente, surgiram outros movimentos artísticos, alguns, aliás, de caráter construtivo, foi o cadaísmo, em sua expressão mais irreverente, que se impôs no curso do século 20.
Minha pergunta implicava outra questão: se os movimentos de vanguarda se manifestaram não apenas nas artes plásticas, mas também na poesia, no romance, na música, no teatro, por que só naquelas se manteve dominante até hoje, enquanto as outras artes, depois de absorverem inovações vanguardistas, retornaram, enriquecidas, a seu leito natural?
Por exemplo, a poesia dadaísta chegou, após a "Ursonate", de Schwitters, a poemas que, em lugar de palavras, usavam traços, sinais abstratos. O caso extremo do experimentalismo na literatura foi o "Finnegans Wake", de James Joyce.
Felizmente, a literatura de ficção não o tomou como exemplo a seguir, como as artes plásticas o fizeram com o urinol de Marcel Duchamp. Se isso houvesse ocorrido, não teríamos hoje as obras de Borges, Faulkner, Clarice Lispector etc. Sem exagero, a literatura ter-se-ia tornado indecifrável e ilegível.
Diante disso, questionei o fundamento desse vanguardismo que só se manteve nas artes plásticas. Qual fator o fez manter-se apenas neste campo, e não nos outros? Deduzi eu que, se fosse uma necessidade da época, teria se mantido em todas as outras artes. Esse me parecia um argumento lógico, mas não me satisfazia, mesmo porque a vanguarda, em qualquer campo que se manifestou, nascera de fatores históricos identificáveis. A pergunta permaneceu, portanto, sem resposta, até que, quase por acaso, julgo tê-la encontrado.
Não pensava nesse problema, quando observei que, no passado, não havia exposições de arte, mesmo porque ainda não se inventara o quadro de cavalete: o artista pintava afrescos nos muros dos mosteiros e igrejas e, depois, nas paredes dos palácios dos nobres e das mansões dos burgueses.
Como o número de paredes era limitado, foi preciso surgir o quadro de cavalete para nascer o colecionador de arte, que passou a ir ao ateliê do artista e ali comprava a tela que lhe agradasse. O artista não expunha suas obras. Só no século 19 criaram-se os salões de arte, onde passou a expor. Distribuíam-se prêmios que, por consequência, determinavam o valor das obras no incipiente mercado de arte. E aí surgiram as galerias e os marchands.
Expor obras é um fenômeno relativamente recente na história da arte. Da Vinci, Rafael, Ticiano não expunham suas obras e isso influía no resultado do que criavam. No século 20, surgiram as grandes mostras internacionais, como a Bienal de Veneza, a de São Paulo e outros certames que se tornaram o espaço onde a arte acontece: um depende do outro. Essas exposições internacionais é que garantiram a sobrevida da vanguarda, estimulando o artista a produzir obras que "aconteceriam" ali. Ele trabalha para grandes mostras e necessita impactar o espectador, ao contrário do pintor do passado, preocupado em criar obras permanentes, que dele exigiam dedicação e apuro técnico.
Creio ser essa uma das razões por que a chamada arte contemporânea não elabora uma linguagem, não requer domínio técnico, já que o artista não busca a permanência e, sim, antes de tudo, expor e expor-se. Daí o improviso: as instalações, os "happenings", as performances.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1807201021.htm

sábado, 10 de julho de 2010

Outro dia assisti um filme em que o personagem por um lapso temporal havia sido enviado a um mundo paralelo onde os Nazistas haviam vencido a Segunda Guerra. Era um horror.
Teorias conspiratórias à parte, as vezes penso que esses Comunistas do PT buscam, através da popularidade do Lula e aproveitando-se alienação de parte da sociedade que parecem estar em êxtase pelo bom momento econômico que o país vive, por meio do uso de políticas de estado buscam “moldar” e controlar a sociedade no Brasil para que ela passe a ver e a “viver” noutra realidade diferente dessa que o Brasil conhece até hoje por se encontrar inserido sob influência capitalista dos EUA, desde o fim da II guerra.
A crítica severa , e até agressiva que militantes do PT fizeram à charge do Leni com o que seria pretensamente a candidata Dilma ” rodando a bolsinha” é emblemática nesse assunto.
A imagem da “Prostituta” que trata do episódio dos programas de governo de Dilma se trata de uma metáfora.
Essa repulsa ao uso de metáforas é bem característico dos regimes totalitários, quando de praxe censuram o emprego de metáforas nos produtos de cultura. Vale lembrar que os filmes de Glauber Rocha, entre outros, eram os mais censurados durante o período da ditadura no Brasil. Note que os Petistas demonstraram com maior vigor a sua revolta quando a charge foi veiculada na grande imprensa num jornal de grande circulação. Eles não sabem conviver com a liberdade e é por isso que eles estão sempre tentando buscar artifícios para cercear de alguma maneira os principais veículos de imprensa, implantar um dirigismo cultural no país e coisas assim. Outros aspectos que caracterizam esse governo como adepto da linha do totalitarismo são as políticas de valorizar excessivamente e cegamente as coisas do Brasil, tentando despertar na população um sentimento exacerbado de Ufanismo, isso também foi feito no regime militar, e de direcionar a política externa do país para países não alinhados aos EUA e a Europa , muitos de regimes autoritários. É preocupante.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um governo grande o suficiente para lhe dar tudo o que você deseja é forte o suficiente para tomar tudo o que você tem.” - Thomas Jefferson

domingo, 20 de junho de 2010

Quando Tudo está certo

Folha de São Paulo
São Paulo, domingo, 20 de junho de 2010

FERREIRA GULLAR
Quando o errado está certo

Sabe-se que, para a maior parte dos linguistas, não existe isso de falar errado: todo o mundo fala certo


MUITA GENTE torce o nariz quando um chatola, como eu, começa a reclamar dos erros de português que se cometem nos jornais e na televisão. Desses, muitos dos que os cometem são profissionais, mas estão pouco ligando para o que consideramos escrever e falar errado.
Sabe-se que, para a maioria dos linguistas, não existe isso de falar errado: todo o mundo fala certo. Admitem existir uma "norma culta", que obedece às regras gramaticais, mas violá-las não é propriamente errar. Ouvi de um deles que está tão certo dizer "pobrema" como "problema". Obtuso como sou, tenho dificuldade de entender por que eles mesmos vivem escrevendo livros e colunas em jornais, ensinando como se deve escrever. Ora, se não existe falar errado, por que ensinar?
Não deve o leitor concluir daí que sou aquele morrinha que vive catando os deslizes de cada um, mesmo porque não posso me considerar um grande conhecedor da língua. Gosto dela, prezo-a ou, melhor dizendo, considero-a uma das extraordinárias criações do gênio humano. Não é maravilhoso imaginar que, muito antes de surgirem os gramáticos, nossos ancestrais já falavam obedecendo às normas que tornaram o idioma meio de comunicação entre as pessoas e de invenção do nosso mundo cultural?
Pense bem nesta maravilha: a palavra "este" indica algo que está perto de mim; "esse", o que está perto de você; e "aquele", o que está longe de nós dois. Eis a linguagem expressando as relações reais do sujeito e das coisas do mundo. Não obstante, todos os locutores de rádio e televisão, como a maioria dos jornalistas, referindo-se ao que está perto de si, usam "esse" em lugar de "este". E isso é hoje tão frequente que já nem se repara.
Ninguém vai morrer por isso, mas não deixa de ser preocupante observar as pessoas deformarem e empobrecerem a língua, usando, por exemplo, "sobre" como regência de quase todos os verbos.
Em vez de "comentou os fatos" dizem "comentou sobre os fatos"; em vez de "quando falou do problema", dizem "quando falou sobre o problema"; em vez de "alertado do ataque", dizem "alertado sobre o ataque", e por aí vão.
Em certas frases, o uso de "sobre" chega ao limite do desatino: "o deputado aguarda o desmentido sobre a denúncia", quando seria muito mais simples e elegante dizer "aguarda o desmentido da denúncia". Vá você, agora, explicar como surgiu essa mania do sobre, que espero seja apenas uma mania, como outras que surgiram e se foram.
Lembram-se da época em que todos usavam a expressão "a nível de"? Servia para qualquer coisa, como ouvi um entrevistado afirmar que, "a nível de ração para porcos, o melhor seria...". Felizmente, essa mania passou, o que me faz crer que a língua termina por excluir de si as excrescências que nela se introduzem. Mas parece que nem sempre, porque, às vezes, o mau uso se generaliza e até mesmo se oficializa.
Existe coisa mais descabida do que chamar de "sambódromo" uma passarela para desfile de escolas de samba? Em grego, "-dromo" quer dizer "ação de correr, lugar de corrida", daí as palavras autódromo e hipódromo. É certo que, às vezes, durante o desfile, a escola se atrasa e é obrigada a correr para não perder pontos, mas não se desloca com a velocidade de um cavalo ou de um carro de Fórmula 1.
Muitas vezes, à irreverência junta-se a ignorância, a pouca leitura dos bons escritores. Não é que tenhamos de escrever como escrevia Camões, mas o conhecimento do idioma, em seus diferentes momentos históricos e em suas mudanças, ajuda-nos a preservar a língua no que tem de essencial como também a transformá-la sem lhe trair a natureza. É essa ignorância que leva alguns redatores de televisão a substituir "risco de vida" por "risco de morte", achando que esta é a expressão correta. Ganha-se em obviedade e perde-se em elegância.
Já mencionei aqui, noutra ocasião, a tal lei da termodinâmica, segundo a qual os sistemas tendem à desordem. Sendo a língua um sistema, está sujeita a desorganizar-se, como o atestam os exemplos citados, tanto mais hoje em dia, quando a TV induz milhões de pessoas a falar errado. Essa mesma TV que poderia se tornar um instrumento decisivo na luta contra a entropia. Ou será que escrever certo é elitismo?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A cara do Cara. Por Ferreira Gullar

Folha SP , São Paulo, domingo, 28 de março de 2010

FERREIRA GULLAR

A cara do cara

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Teríamos que ver Lula não como o estadista, que pretende ser, e, sim, como um espertalhão?
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DEVO ADMITIR que, de algum tempo para cá, a personalidade de Lula tornou-se, para mim, motivo de surpresa e indagação. Trata-se, sem dúvida, de um personagem inusitado na história política do país. Contribui, para isso, obviamente, sua origem social, a condição de líder operário que, embora pouco afeito aos estudos e à leitura, chegou à mais alta posição que alguém pode alcançar no Estado brasileiro.
A trajetória que ele percorreu é, no entanto, compreensível, se se levam em conta os fatores que determinaram o processo político brasileiro durante os anos do regime militar. A repressão que a ditadura exerceu sobre os trabalhadores organizados, alijando dos sindicatos às lideranças surgidas do getulismo e do janguismo, propiciou o surgimento de uma liderança sindical, desvinculada tanto do peleguismo quanto dos comunistas que, por isso mesmo, prometia uma nova era na luta dos trabalhadores.
A figura principal desse movimento era Luiz Inácio Lula da Silva que, envolto nessa aura, fez renascer a esperança de velhos militantes incompatibilizados com o comunismo soviético, como também o entusiasmo de uma nova geração que se inspirava na Revolução Cubana. Não por acaso, Lula passou a usar a mesma barba que caracterizava as figura de Fidel e Guevara.
Enquanto durou a ditadura militar, ele e seu partido, o PT, mantiveram-se na luta pela restauração da democracia, ao lado do partido de oposição e de outras forças de esquerda. Finda a ditadura, Lula e seu grupo começaram a mostrar sua verdadeira face: tornaram-se adversários de todos os governos que se formaram, a partir de então. A própria Constituição de 1988 não contou com seu apoio, pois se negou a assiná-la.
De 1990 a 98, Lula fracassou em três tentativas de eleger-se presidente da República. Em 2002, deu um ultimato ao PT: para perder de novo, não se candidataria e, com isso, o partido abriu mão da postura radical, permitindo a Lula, inclusive, adotar como vice um empresário e comprometer-se com a política econômica de FHC, que haviam combatido ferozmente. Eleito, Lula repeliu a aliança com o PMDB e aliou-se a partidos menores, que seriam comprados com o mensalão. Quando o escândalo estourou, disse que não sabia de nada e obrigou seus auxiliares mais próximos a assumirem a culpa. Depois, os absolveu e, recentemente, afirmou que o mensalão foi fruto de uma conspiração contra seu governo. Não houve.
A coragem de fazer tal afirmação, quando a denúncia daquelas falcatruas foi feita pelo procurador-geral da República e aceita pelo Supremo Tribunal Federal, é quase inconcebível em alguém que ocupa a Presidência da República. Mas esse é o Lula que, após assumir o governo, afirmou nunca ter sido de esquerda e, enquanto abre o cofre do BNDES à grandes empresas, alia-se ao antiamericanismo de Chávez e Ahmadinejad e abraça-se a Bush, a Fidel e Sarkozy. Dá seu apoio às eleições corruptas do Irã e se nega a reconhecer o presidente legitimamente eleito de Honduras.
Mas nada chocou tanto a opinião pública, dentro e fora do Brasil, quanto sua afirmação de que é inaceitável que alguém se deixe morrer numa greve de fome. E, como se não bastasse, comparou os prisioneiros políticos, condenados por delito de opinião, aos criminosos comuns, presos por roubar ou matar. O ministro Amorim tentou defendê-lo, dizendo que Lula, por já ter feito greve de fome, estava agora fazendo uma autocrítica. Na verdade, Lula fingiu fazer greve de fome, em 1980, pois, como se sabe, comia escondido. Não se trata, pois, de autocrítica, mas da tentativa de desqualificar quem demonstrou a grandeza moral que ele não teve. Teríamos que vê-lo, não como o estadista, que pretende ser, e, sim, com um espertalhão, capaz de qualquer coisa que sirva a seus objetivos?
Seria, talvez, simples demais afirmar que sim. No entanto, como entender sua atitude, na visita recente ao Oriente Médio, quando se ofereceu, publicamente, para mediar o conflito entre judeus e palestinos, tarefa já entregue a um "quarteto" de alto nível composto pelos EUA, a comunidade europeia, a Rússia e a ONU? Como era de esperar, o oferecimento foi rejeitado pelos dois lados.
Lula certamente não contava com isso, mas, esperto como é, tampouco se julgaria capaz de resolver tão complexo problema. O que lhe interessava era posar de estadista preocupado com as grandes questões mundiais. É o mesmo cara que inaugura obras não concluídas e acha que só um retardado mental faz greve de fome para valer.
Teme a era pós-Lula.


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Índice

Mobilidade Urbana

Por Eduardo Aguiar
Mobilidade Urbana
Como anda o transito da cidade do Recife? Parado. Um inferno.
A cada ano são construídos mais e mais prédios num mesmo local.
Em média, 40/60 famílias hoje morando no mesmo local onde moravam em casas 01 ou 02 famílias.
são 100/120 automóveis saindo de um mesmo local onde havia 02/4 carros, trafegando pelas mesmas vias já existentes. Não há mais como resolver, e não haverá no futuro meios de amenizar o problema da mobilidade na cidade se não forem tomadas medidas imediatas para conter o adensamento excessivo da cidade.
A cidade vem sendo adensada através da verticalização há muito tempo.
No início, quando havia folga na infraestrutura urbana, eram edificações de 3 ou 4 pavtos. Hoje, sem infraestrutura alguma, ainda predominam na cidade a construção de edifícios com 15, 20 pavtos, e de até 40 pavtos.
Nos últimos 20 anos, muitas foram as tentativas do poder público municipal, através dos seus vários administradores de restringir de modo satisfatório, através de leis, o adensamento excessivo da cidade. Todas fracassadas.
O adensamento excessivo da cidade exige soluções arrojadas e custosas para o problema do trafégo de veículos e transporte urbano público para permitir que haja a mobilidade do cidadão pela cidade.
O último administrador público que teve condições políticas para tomar as medidas capazes de amenizar o problema da deficiência nas condições de mobilidade na cidade, acarretada pelo seu excessivo adensamento, foi o prefeito João Paulo.
No entanto, assim como os demais prefeitos anteriores, cedeu e se furtou a fazer de fato, as modificações na dose correta no plano diretor para impedir que continuasse o excessivo adensamento populacional na cidade. Desperdiçou uma grande oportunidade de fazer a coisa certa quando contava com altos índices de apoio da população.
Agora não tem mais jeito. E vai piorar ainda mais. E o pessoal da prefeitura, muitos deles técnicos ilustres da atual administração, ainda dizem que o problema não é necessariamente decorrente da alta densidade mas sim da quantidade de carros que aumentou em razão da melhoria recente das condições econômicas do país.
Me engana que eu gosto..... . Para mim, essa explicação não convence.
É sim mais um agravante que exige maior rapidez nas medidas a serem tomadas.
Por que então não são implementadas medidas de fato eficientes para conter o excessivo adensamento urbano que tanto contribui para o agravamento do problema da falta de mobilidade urbana na cidade?
Por economia e conveniência.
A prefeitura não restringe como deveria a ocupação de bairros já muito adensados e nem incentiva a ocupação de bairros menos ocupados porque não é de interesse dela, nem das construtoras. Para as construtoras é muito menos arriscado e melhor negócio construir em bairros já valorizados. Elas "vendem" a ambiência, isto é, a qualidade de vida dos bairros de hoje sem ter o compromisso de mantê-la no futuro. Engano meu, perdão, as grandes construtoras pensam no futuro, mas no futuro delas.
Atualmente grandes glebas urbanas do tamanho de bairros vem sendo compradas por grandes grupos para que nelas sejam, no futuro, construídos grandes condomínios fechados.
Já a prefeitura, prefere ter o máximo possível de receita de IPTU vinda de um mesmo bairro que tenha a infra-estrutura já consolidada.
Bem conveniente não?
Assim ela não tem que gastar dinheiro para ampliar a infra-estrutura na urbanização de novos bairros e ainda sobra muito mais dinheiro para empregar gente amiga, parente e ainda sobra para campanha política.
Dizem que no futuro vamos ter que usar menos o carro e usar mais o transporte público.
Muito bom. Já entendi.
Vão em breve criar o pedágio urbano. Oba! Vai ter mais receita para a prefeitura!!!!
E o transporte público......
O sistema de Transporte publico é deficiente, os ônibus são péssimos e não tem metrô , nem como fazê-lo porque é muito caro, e por aqui seria ainda mais caro porque no subsolo do Recife tem muita água.
Bicicleta? Não há Ciclovias suficientes pela cidade que permitam fazer da bicicleta um meio habitual de transporte, e se andar pela rua junto com os carros corre grande risco de ser atropelado.
Caminhar? As calçadas são estreitas e cheias de buracos. E o risco de ser assaltado ?
Enfim,
Onde está o poder público?
O que o prefeito atual tem dizer?
Será que ele acredita que apenas com a via mangue e a construção de algumas pontes na zona norte vai resolver esse problema?
E os futuros candidatos a prefeito, o que eles têm a dizer a respeito desse problema?

domingo, 6 de junho de 2010

Pol�tica externa respons�vel - opiniao - Estadao.com.br

Ao contrário do que muitos podem achar, não foi o governo Lula que nas relações exteriores fez o Brasil ganhar projeção e respeito no plano internacional.
Ao que tudo indica, o que começou na política externa desse governo foi a irresponsabilidade, o oportunismo, o marketing barato e a demagogia. É isso que o texto mostra.
Política externa responsável
06 de junho de 2010 | 0h 00
Fernando Henrique Cardoso - O Estado de S.Paulo
A despeito das bazófias presidenciais, que, vez por outra, voltam ao bordão de que "hoje não nos agachamos mais" perante o mundo, se há setor no qual o Brasil ganhou credibilidade e, portanto, o respeito internacional foi no das relações exteriores. Elas sempre foram orientadas por valores e estiveram intransigentemente fincadas no terreno do interesse nacional. A demagogia presidencial não passa de surto de ego deslumbrado, que desrespeita os fatos e mesmo a dignidade do País.
Com exceção dos flertes com o totalitarismo europeu durante o Estado Novo, sempre nos orientamos pela defesa dos valores democráticos, pela busca da paz entre as nações, por sua igualdade jurídica e pela defesa de nossos interesses econômicos. Com toda a dificuldade do período da guerra fria - quando os governos militares se opuseram ao mundo soviético e a seus aliados -, não nos distanciamos do que então se chamava de Terceiro Mundo. Se não nos juntamos propriamente ao grupo dos "não-alinhados", dele sempre estivemos próximos. Terminada a guerra fria, restabelecemos relações com os países do campo socialista, Cuba e China à frente, voltamos a estar mais ativamente presentes na África, apoiamos o Conselho de Segurança da ONU nos conflitos entre Israel e a Palestina, sustentamos a posição favorável à criação de "dois Estados" e o respeito às fronteiras de 1967 e nunca nos solidarizamos com o grito de "delenda Israel" nem com as afrontas de negação do Holocausto.
Seguindo esta mesma linha, assinamos o Tratado de Não-Proliferação de armas atômicas (TNP), com ressalvas quanto à manutenção dos arsenais pelos "grandes", fomos críticos das invasões unilaterais no Iraque e só aceitamos a intervenção no Afeganistão graças à supervisão das ações bélicas pela ONU. A reação ao unilateralismo foi tanta que em discurso na Assembleia Nacional da França cheguei a aludir à similitude entre o unilateralismo e o terrorismo, provocando certo mal-estar em Washington. Procedemos de igual modo na defesa de nossos interesses como país em desenvolvimento. No dia em que se publicarem as cartas que dirigi aos chefes de Estado do G-7 se verá que predicávamos desde então maior regulação financeira no plano global e maior controle do FMI e do Banco Mundial pelos países emergentes. Reivindicamos nossos direitos comerciais na OMC, a começar pelo caso do algodão, e, no caso das patentes farmacêuticas, defendemos vitoriosamente em Doha o ponto de vista de que a vida conta mais que o lucro. Todas estas políticas tiveram desdobramentos positivos no atual governo.
Temos, portanto, credenciais de sobra para exercer uma ação mais efetiva na condução dos negócios do mundo. A hegemonia norte-americana vem diminuindo pelo fortalecimento econômico dos Brics (metáfora que abrange não só os quatro países, mas vários novos atores econômicos), especialmente da China, pela presença da União Europeia e também vem sendo minada pelas rebeliões do mundo árabe e muçulmano, como o próprio governo Obama reconhece. É natural, portanto, que o Brasil insista em sentar-se à mesa dos tomadores de decisões globais. Sendo assim, por que a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro? Há duas ordens distintas de questões para explicar o porquê de tanto barulho. A primeira é a falta de clareza entre a ação empreendida e os valores fundamentais que orientam nossa política externa. A segunda é a forma um tanto retórica e pretensiosa que ela vem assumindo.

Quanto ao primeiro ponto, como compatibilizar o repúdio às armas nucleares com a autonomia decisória dos povos? Esta abrange inclusive o direito ao conhecimento de novas tecnologias, mesmo as "duais", que tanto podem ser usadas para a paz como para a guerra. Em nosso caso, conseguimos, por exemplo, dominar a técnica de foguetes propulsores de satélites (e quem lança satélite pode lançar mísseis). Ninguém desconfia, entretanto, de que a utilizaremos para a guerra, até porque obedecemos às regras do acordo internacional que regula a matéria. Do mesmo modo, dominamos o ciclo completo de enriquecimento do urânio. Mas não cabem dúvidas de que não estamos fazendo a bomba atômica, não só porque nossa Constituição proíbe, mas porque inexistem ameaças externas e porque submetemos o enriquecimento do urânio (guardado o sigilo da tecnologia usada) ao duplo controle de um tratado de fiscalização recíproca com a Argentina e da Agência Internacional de Energia Atômica.

É precisamente isto que falta no caso do Irã: a confiabilidade internacional nos propósitos pacíficos do domínio da tecnologia. E é isso que o governo americano alega para recusar a intermediação obtida, ao reafirmar que a quantidade de urânio já disponível, mesmo descontada a quantidade a ser remetida para enriquecimento no exterior, permitiria a fabricação da bomba. O xis da questão, portanto, seria a obtenção pelo Brasil e pela Turquia de garantias mais efetivas de que tal não acontecerá. Deixando de lado as alegações recíprocas sobre se houve o estímulo americano à ação intermediadora (que para quem quer ter uma posição independente na política externa é de somenos), uma ação eficaz para evitar o confronto e as sanções - posição coerente com nossa tradição negociadora - deveria buscar desfazer a sensação da maioria da comunidade internacional de que o governo iraniano está ganhando tempo para seguir em seus propósitos nucleares.
Neste ponto a retórica dos atores brasileiros parece ter falhado. O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro, passando a impressão de que havíamos dado um drible nas "grandes potências", digno de Copa do Mundo, reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o "outro lado". E em política internacional, mais do que em geral, cosi è (se vi pare).

SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE

Tópicos: , Opinião, Versão impressa

domingo, 23 de maio de 2010

Termos usados em SP na venda de apartamentos

São Paulo, domingo, 23 de maio de 2010
VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DE SÃO PAULO

Os dicionários bilíngues não registram, os nativos não entendem e quem vende -ou quem compra- não sabe o que significa nem consegue pronunciar.
Depois de batizar prédios em inglês -como Vanilla House & Garden- o mercado imobiliário criou um vocabulário próprio, uma derivação de neologismo com estrangeirismo com termos que não são de uso corrente nem nos EUA, nem no Reino Unido.
Na lista de empréstimos inspirados no anglicismo, palavras que soam como inglês, são escritas como inglês, mas só têm o disfarce.
No prédio Choice, no Panamy (zona oeste), os apartamentos são "living spaces" e o "wash lounge" tomou o lugar da lavanderia, que seria "laundry" no inglês real. "Garage band" não tem nada a ver com o estacionamento. É o estúdio de ensaio para moradores que têm bandas.
Embora usado nos EUA noutro sentido, "home office" -atração de boa parte dos lançamentos- é de fazer graça aos britânicos. Em Londres, é o departamento de imigração, temido por dez entre dez imigrantes.
Num terreno na rua Leopoldo Couto de Magalhães (Itaim Bibi, zona oeste) onde será construído um prédio com apartamentos vendidos a R$ 1,7 milhão, um painel de cinco metros de largura define a obra: "walkmobility".
"É o conceito. Estamos no espaço "prime" do Itaim", diz o corretor José Kennedy. Como assim? "Estamos perto de tudo no bairro", afirma.
Traduzido para o inglês, o "walkmobility" que ele disse seria "walking distance". Ou simplesmente "a pé".
A poucas quadras dali, o prédio This is It, vende "style home", em vez de apartamentos -e oferece: 1) "dance hall" (salão de festas); 2) "smart control, stand alone" (controle remoto para luz e ar-condicionado); 3) "fitness" (academia); 4) "drive range" (para jogar golfe); 5) "snooker bar" (sinuca); 6) "babysitter" (babá) e 7) "personal line" (decorador).
"O "dance hall" vai ser o salão de festas, é tipo um pub. Vai ter música, alegria", afirma a corretora Clara Lima.

PIADA
A Folha comparou projetos de São Paulo com prédios equivalentes em Nova York e Londres e enviou a lista a dois corretores americanos.
Agora professor de inglês em São Paulo, o corretor americano Anthony Haas diz se divertir ao folhear anúncios de imóveis e não entender de onde as construtoras tiram esses neologismos.
"Se esses termos fossem usados nos EUA seriam motivo de piada, não significam nada em inglês", diz Haas.
""Wash lounge" é engraçado porque soa como um lugar para tomar banho, em vez de lavar roupas", diz o corretor Alex Cohen, da imobiliária Cushman & Wakefield, de Nova York.
"O erro mostra o artificialismo da transposição, o que interessa é a sonoridade. Querem dar valor ao que vendem", diz Luiz Tatit, professor de linguística da USP.
"Tem um dicionário para eu ver a tradução de "half-pipe?'", pergunta a designer Lia Sá. Ela procura, mas não acha o que a construtora queria dizer: pista de skate.

Na prática é diferente

Folha de São Paulo, domingo, 23 de maio de 2010
Aura. Na Prática é diferente
FERREIRA GULLAR

Na prática é diferente
UM CARRO ESPORTE da marca Bugatti foi vendido em leilão por US$ 40 milhões. Não foi uma escultura de Rodin nem um quadro de Picasso, mas simplesmente um automóvel, ou seja, um produto industrial feito em série. É verdade que desse Bugatti só foram fabricados três exemplares, mas há casos de outros, de muito maior tiragem, que alcançaram vários milhões de dólares.
Tais fatos, sem dúvida, deixariam perplexo o pensador alemão Walter Benjamin, segundo o qual os produtos industriais não possuem aura, como as obras de arte consagradas.
O que então explicaria a verdadeira idolatria de certos colecionadores por automóveis antigos? Talvez o leitor não esteja entendendo por que Walter Benjamin ficaria perplexo. É que ele é o autor de um célebre ensaio intitulado "A Obra de Artena Época de Reprodutibilidade Técnica", no qual expõe a teoria da aura que envolve as obras de arte, que são originais únicos, como, por exemplo, "A Guarda Noturna", de Rembrandt, ou "Le Déjeneur sur Lherbe" (almoço sobre o gramado), de Manet.
Aliás, é próprio da pintura, por ser produto artesanal, criar originais únicos, contrariamente à fotografia, produto tecnológico, que possibilita a criação de numerosas cópias, sem original: o original da fotografia era, até recentemente, antes da câmera digital, o negativo.
As fotos assim obtidas eram cópias. Ou todas elas originais? Mas, quando Benjamin escreveu seu ensaio, nem sonhava coma foto digital. De qualquer modo, naquela época, como hoje, um automóvel também não tinha original, isto é, tinha, mas era o projeto do designer. Essa constatação levou o ensaísta alemão a desenvolver uma teoria, segundo a qual o conceito fundamental da obra de arte havia sido destruído pelas novas técnicas de reprodução das obras criadas.
Nascia, assim, segundo ele, um novo conceito de arte que eliminava a concepção tradicional de obra única e consequentemente o conceito de artista como indivíduo dotado de genialidade ou talento. É como consequência dessa tese que Benjamin afirma que as novas técnicas de reprodução extinguiram a aura que envolvia e sacralizava a obra única.
Por trás dessa tese está a concepção da sociedade de massa, vista como um avanço na história humana, quando, enfim, a coletividade se sobrepõe à individualidade, dispensando, portanto, o conceito de gênio, indivíduo superdotado, que seria na verdade fruto de uma mistificação da arte. Em seu entendimento, a aura que envolve as chamadas obras-primas nasceu da visão religiosa que estava na origem das criações artísticas da Antiguidade. Confundia-se a devoção aos deuses com a expressão estética, e assim a aura mística contaminava a expressão artística.
Mais tarde, quando a arte se libertou da religião, aquele sentimento místico se transferiu para a contemplação estética. A arte pela arte não seria outra coisa senão o resultado dessa transferência do místico para o estético. Tese perigosa que desconhece a diferença entre as pessoas, ao pressupor que todas têm as mesmas qualidades, o mesmo gênio de um Albert Einstein ou de um Leonard DaVinci. Mas os fatos foram suficientes para pôr abaixo a teoria.
Ao contrário do que afirmava, as reproduções da Mona Lisa, em vez de destruir-lhe a aura, a aumentaram, tornando-a mais admirada, já que todos desejam conhecer o original daquela reprodução que lhe caíra nas mãos. Cada ano, novos milhares de pessoas se a cotovelam no Louvre, atraídos pela aura da obra de Da Vinci.
Contrariando a previsão de Benjamin, a reprodução veio garantir e ampliar a aura. É evidente que ele se equivocou. A aura que envolve esse ou aquele objeto -seja um quadro ou um automóvel- depende de fatores muito diversos, que tanto pode ser a qualidade estética, sua condição de objeto raro ou extravagante, como a história ou lenda que o envolva.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dima e os nordestinos

Por Eduardo Aguiar
Sobre esse infeliz comentário de Dilma sobre os nordestinos que emigram para o Brasil, se eu fosse publicitário da campanha de Serra ou Marina, fazia uma cena com o Lula, trajado de vaqueiro nordestino conduzindo uma enorme boiada em direção a um curral . Na porta do curral, Dilma também vestida de vaqueira sorrindente , acenando e dizendo - vamo luiz "! vamo luiz ! traz logo essa boiada prá cá , ligeiro ,...

chavismo cordial

O chavismo cordial -Arnaldo Jabour
Publicado Jornal do Comercio em 04.05.2010


Dilma Rousseff tem de ser ela mesma. Seu duro passado de militância política lhe deixou um viés de rancor e vingança, justificáveis. Ela tem todo o direito de ser uma típica “tarefeira” da VAR-Palmares, em vias de realizar o sonho de sua juventude, se eleita. Ela tende para a estatização da economia, restos de sua formação leninista, ela tem o direito de ser irritadiça, pois o País é irritante mesmo. Seus olhos fuzilam certezas sobre como consertar a pátria amada. Ela pode achar que democracia é “papo para enrolar as massas”, ela pode desconfiar dos capitalistas e empresários, ela pode viver gostosamente a volúpia do poder que conquistou, ela pode ignorar a queda do muro de Berlim, o fim da guerra fria, ela pode amar o Lula, seu símbolo do operário mágico que encarnou na prática a vazia utopia do populismo “revolucionário”. Ela pode tudo, mas tem de assumir sua personalidade.
Meu Deus, como eu entendo a cabeça da Dilma, mesmo sem conhecê-la pessoalmente... Conheci muitas “dilmas” na minha juventude, quando participei da fé revolucionaria de nossa geração. Para as “dilmas” e “dirceus” do passado, a democracia é uma instituição “burguesa” – (Lênin: “É verdade que a liberdade é preciosa, tão preciosa que precisa ser racionada cuidadosamente”). Ela se considera membro de uma minoria que está “por dentro” da verdade, da chamada “linha justa”, ela se julga superior – como outros e outras que conheci – inclusive eu mesmo...(Oh, delícia de ser melhor que todos... Oh... que dor eu senti ao perder essa certeza...”). Nós éramos os fiéis de uma “fé científica”, uma espécie de religião da razão praxista, que salvaria o mundo pelo puro desejo político – éramos o “sal da terra”, os “sujeitos da historia”.

Mas, só uma dor me devora o coração: Dilma está sendo “clonada”. Esta frente unida do autodeslumbramento de Lula com a massa sindicalista-pelega, quer transformá-la em uma “dilma” que não existe. Uma nova pessoa, um clone dela mesma. Isto é muito louco. É natural que o candidato beije criancinhas, coma bode e puxe o saco de evangélicos... Tudo bem. Mas, o tratamento a que submetem a pobre da Dilma me lembra uma famosa cena de Brecht, em Arturo Ui, em que um velho ator shakespeareano bêbado e decadente é convocado para ensinar a “Hitler” (Arturo Ui) como se comportar diante das massas, recitando o discurso de Marco Antonio em Júlio César. É genial a cena em que aos poucos o “hitler” vai virando um boneco de engonço, com gestos e falas de robô quebrado.

A finalidade da faxina que marqueteiros e “PT-psicólogos” fazem na moça é esta: criar alguém que não existe e que nos engane, alguém que pareça o que não é. Afinal, que querem esconder? Querem uma reedição “dilminha paz e amor”? Ou querem Lula e ela em um filme tipo Se eu fosse você 3, como piou o Agamenon? Um cacófato: quem será o Duda dela? Será que foi por isso o ato falho de falar em “lobo em pele de cordeiro”? Será “lobo” ou “loba”? Além do piche no Serra, não será também uma involuntária alusão a Lula ou a ela mesma? Dilma é uma loba em pele de cordeiro? Isso é grave. O PT não se envergonha de criar uma pessoa artificialmente fabricada em quem devemos votar? Será que seguem ainda a máxima de Lênin: “Uma mentira contada mil vezes vira uma verdade”?

Querem que ela seja uma sorridente “democrata”, uma porta colorida para a invasão da manada de bolchevistas que planejam mudar o País para trás, na contramão da tendência da economia global. Eu os conheço bem...

A crescente complexidade da situação mundial na economia e na política os faz desejar um simplismo voluntarista que rima bem com o fundamentalismo islâmico ou com a boçalidade totalitária dos fascistas: “Complexidade é frescura, o negócio é radicalizar e unificar, controlar, furar a barreira do complexo com o milagre simplista”. (Stalin: “A humanidade está dividida em ricos e pobres, proprietários e explorados. Subestimar esta divisão significa abstrair-se dos fatos fundamentais” ou Lênin - “Qualquer cozinheiro devia ser capaz de governar um país”).

O espantoso nisso é que o país melhorou graças ao Plano Real e uma série de medidas de modernização que abriram caminho para a economia mundial favorecer-nos como um dos países emergentes e esse raro e feliz fenômeno econômico (James Carville, assessor do Clinton contra Bush: “É a economia, estúpido!”) é tratado como se fosse uma política do governo atual, que só fez aumentar despesas públicas e inventar delírios desenvolvimentistas virtuais. (Stalin: “A gratidão é uma doença de cachorros...”)

O povão do Bolsa Família não pode entender isso. Muitos intelectuais entendem, mas não têm a coragem de explicitar as diferenças - o lobby da velha “boa consciência de esquerda” intimida-os. Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não. O grave é que tramam uma mudança radical na estrutura do governo, uma mutação dentro do Estado democrático. Vamos viver um pleito pretensamente “revolucionário”, a tentativa de um Gramsci vulgar (filosofo que dizia que os comunistas devem se infiltrar na democracia para mudá-la). Querem fazer um capitalismo de Estado, melhor dizendo, um “patrimonialismo de Estado”. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica. (Stalin: “Não deixamos os inimigos ter armas de fogo, por que deixar que tenham ideias?”)

Não esqueçamos que o PT combateu o Plano Real até no STF, como fez com a Lei de Responsabilidade Fiscal, assim como não assinou a Constituição de 88. Este é o PT que quer ficar na era pós-Lula. Seu lema parece ser: “Em vez de burgueses reacionários mamando na viúva, nós, do povo, nela mamaremos”.

Depois desse “bonapartismo cordial” que o Lula representou até com galhardia, se apropriando da “herança bendita” de FHC, pode haver o inicio de uma nova fase: o “chavismo cordial”.

É isso aí, bichos...

domingo, 2 de maio de 2010

Construir sem demagogia, por Fernando Henrique Cardoso*




02 de maio de 2010 | N° 16323

ARTIGOS

Construir sem demagogia, por Fernando Henrique Cardoso*

Época de campanha eleitoral é propícia à demagogia. Pode servir também para a construção de um país melhor se os líderes políticos tiverem grandeza. O embate entre PSDB e PT já dura 17 anos, desde o governo Itamar, quando iniciamos o Plano Real. É tempo de reavaliar as diferenças e críticas recíprocas. Os mais destacados economistas do PT daquela época, Maria da Conceição Tavares, Paul Singer e Aloizio Mercadante, martelaram a tecla de que se tratava de jogada eleitoreira. Não quiseram ver que se tratava de um esforço sério de reconstrução nacional, que aproveitou uma oportunidade de ouro para inovar práticas de gestão pública e dar outro rumo ao país. Como tampouco haviam visto que, por mais atribulada que tivesse sido a abertura da economia, sem ela estaríamos condenados à irrelevância em um mundo que se globalizava.

A mesma cegueira impediu que se avaliasse com objetividade o esforço hercúleo para evitar que o sistema financeiro se desfizesse por sua fragilidade e pela voragem dos ataques especulativos. Proer, Proes e o respeito às regras da Basileia foram fundamentais para alcançar as benesses de hoje. Passamos pelo penoso aprendizado do sistema de metas para controlar a inflação e aprendemos a usar o câmbio flutuante, sujeito – como deve ser – à ação corretora do BC. Esses processos, a despeito de críticas que lhes tenham sido feitas no passado, constituem agora um “patrimônio comum”. O mesmo se diga sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, que foi duramente criticada pelo PT e aliados e, hoje, é indiscutida, embora nem sempre aplicada com o rigor necessário. Isso revela amadurecimento do país.

Na área social, o tripé correspondente ao da área econômica se compõe de: aumentos reais do salário mínimo, desde 1993; implementação a partir de 1997 das regras ditadas pela Lei Orgânica de Assistência Social, atribuindo uma pensão aos idosos e às pessoas com deficiências físicas de famílias pobres; por fim, bolsas que, com nomes variáveis, vêm sendo utilizadas com êxito desde o ano 2000. Esses programas, independentemente de que governo os tenha iniciado ou melhorado, tiveram o apoio de todos os partidos e da sociedade.

Infelizmente, nem em todas as áreas é assim. Sob pretexto de combater o neoliberalismo, joga-se no mesmo balaio toda política que não seja de idolatria ao “capitalismo de Estado”, como se essa fosse a melhor maneira de servir ao interesse nacional e popular. Tal atitude revela um horror à forma liberal de capitalismo e à competição. Prefere-se substituir as empresas por repartições públicas e manter por trás delas um partido. No lugar do empresário ou da empresa a quem se poderia responsabilizar por seus atos e erros, coloca-se a burocracia como agente principal do desenvolvimento econômico, tendo o Estado como escudo. Supõe-se que Estado e povo, partido e povo, ou mesmo burocracia e povo têm interesses coincidentes. Outra coisa não faziam os partidos totalitários na Europa, os populistas na América Latina e as ditaduras militares.

Qualquer neófito sabe que sem Estado organizado não há capitalismo moderno nem sociedade democrática. Não se trata, portanto da oposição infeliz e falaciosa de mais mercado e menos Estado nem de seu contrário. Na prática, o neoliberalismo nunca prevaleceu no Brasil, nem depois do golpe de 1964, quando a dupla Campos-Bulhões reduziu a ingerência estatal para permitir maior vigor ao mercado. Mais recentemente, com a maré de privatizações iniciada no governo Sarney (com empresas siderúrgicas médias), prosseguida com Collor e Itamar (este privatizando a Embraer e a simbólica Siderúrgica Nacional) ou em meu governo (telecomunicações, Rede Ferroviária Federal e Vale do Rio Doce), o que se estava buscando era tirar das costas do Tesouro o endividamento crescente de algumas dessas empresas produzido pela gestão burocrática sob controle partidário e dotá-las de meios para se expandirem. Passaram a crescer e o Tesouro a receber impostos em quantidade maior do que os dividendos recebidos quando essas empresas eram formalmente “estatais”. Mas o gasto público continuou a se expandir e o papel do governo nas políticas econômicas e na regulação continuou essencial.

Os resultados da nova política estão à vista. Algumas dessas empresas são hoje atores globais, marcos de um Brasil moderno internacionalmente respeitado. Outra não foi a motivação para transformar a Petrobras, o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica em empresas saneadas e competitivas, sem que jamais governo algum cogitasse de privatizá-las. Foram dotadas da liberdade necessária para agirem como empresas e não como extensão burocrática dos interesses políticos. Essa é a verdadeira questão e é isso que continua em jogo: prosseguiremos nesta trilha, mantendo as agências regulatórias com a independência necessária para velarem pelos interesses do investidor e do consumidor, ou regrediremos?

Na prática, o governo Lula se envaidece, como ainda agora, de que o Banco do Brasil ou a Petrobras atuem como global players. Não retrocedeu em qualquer privatização, começou a fazer concessões das rodovias, cogita fazer o mesmo com os terminais aéreos, chega a simular um leilão para a concessão de Belo Monte, com o cuidado de dar (pra inglês ver, é verdade) a maioria do controle a empresas privadas. Por que, então, não deixar de lado a ideologia e o uso da pecha de neoliberal para desqualificar os avanços obtidos dos quais é usufruidor?

Se esse passo for dado, o debate eleitoral poderá concentrar-se no que realmente conta: a preparação do país para enfrentar o mundo atual, que é da inovação e do conhecimento. As diferenças entre os contendores recairão sobre a verdadeira questão: queremos um capitalismo no qual o Estado é ingerente, com uma burocracia permeada por influências partidárias e mais sujeita à corrupção, ou preferimos um capitalismo no qual o papel do Estado permanecerá básico mas valorizará a liberdade empresarial, o controle público das decisões e a capacidade de gestão?
*EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICAhttp://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2890392.xml&template=3898.dwt&edition=14607&section=1012

O silêncio dos bons


O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.
Martin Luther King

Despertar é preciso

DESPERTAR É PRECISO Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada. Vladimir Maiakóvski

sábado, 1 de maio de 2010

A ideologia marxista hoje




ANTONIO CICERO 

A ideologia marxista hoje

Hoje, nem os marxistas podem pretender saber como seria a superação do capitalismo


JÁ CITEI uma vez, nesta coluna, a observação do filósofo Theodor Adorno no ensaio "As Estrelas Descem à Terra" de que, ao semierudito, "a astrologia [...] oferece um atalho, reduzindo o que é complexo a uma fórmula prática e oferecendo, simultaneamente, uma agradável gratificação: o indivíduo que se sente excluído dos privilégios educacionais supõe pertencer a uma minoria que está "por dentro'". Na época, mostrei que tal descrição convém também à ideologia religiosa do apóstolo Paulo, assim como à de Martinho Lutero. Pois bem, o fato é que ela se aplica igualmente bem a ideologias seculares, tais como o marxismo vulgar.
Embora tencione dar uma chave para o entendimento do mundo, como uma religião, o marxismo, longe de se tomar como religião, considera-se inteiramente racional, declarando-se tanto filosofia quanto ciência da história e da sociedade. Isso faculta ao semierudito ter-se, do ponto de vista cognitivo, como superior também aos eruditos que, por diferentes razões, não tenham adotado a concepção marxista.
Como, além disso, essa concepção do mundo quer fundamentar uma teoria revolucionária, tendo em vista a superação do capitalismo e a instauração do comunismo, sociedade em que pretende que não haverá mais propriedade privada dos meios de produção, nem diferentes classes sociais nem os flagelos da exploração e da opressão do ser humano pelo ser humano, os marxistas, já pelo simples fato de se posicionarem a favor de tal revolução, consideram-se, a priori, superiores, também do ponto de vista ético, a todos que não o tenham feito.
Para esse modo de pensar, o mundo existente, em que domina o modo de produção capitalista, é inteiramente desvalorizado. Nele, qualquer progresso é tido como meramente adjetivo, quando não fictício. A democracia existente -qualificada de "burguesa"- não é valorizada senão enquanto caminho para a revolução. Só esta deverá trazer um progresso real.
Hoje, porém, nem os marxistas podem pretender saber como se daria a superação do capitalismo. Não ignoro que, se questionados, certamente falariam em "socialismo". Concretamente, porém, que poderia significar para eles tal palavra?
Seu socialismo certamente nada teria a ver com a social-democracia, pois esta, sendo compatível com o capitalismo, não representaria sua superação. Tratar-se-ia então do socialismo como a estatização dos meios de produção, tal como se deu, por exemplo, na URSS?
Tomando a estatização da economia sob a ditadura do Partido Comunista, pretenso representante do proletariado, como a propriedade social dos meios de produção, os revolucionários russos supuseram que já haviam deixado para trás o modo de produção capitalista.
Será possível identificar a estatização com o socialismo? Friedrich Engels diria que não, pois afirmava que "quanto mais forças produtivas o Estado moderno passa a possuir, quanto mais se torna um capitalista total real, tantos mais cidadãos ele explora. Os trabalhadores continuam assalariados, proletários. Longe de ser superada, a relação capitalista chega ao auge". Dado que a propriedade estatal dos meios de produção não garante a posse real deles pelos trabalhadores, ela é capaz de não passar de uma forma de capitalismo estatal.
A Revolução Cultural Chinesa pode ser entendida como uma tentativa de mobilizar as massas contra o estabelecimento de situação semelhante, na China. Seu líder, Mao Tse-tung, chegou a dizer: "Não se sabe onde está a burguesia? Mas ela está no Partido Comunista!".
É possível. Como, porém, a verdade é que as "massas" são inerentemente plurais, particulares, instáveis e manobráveis, o fato é que, na época moderna, qualquer "democracia direta" não pode passar de uma quimera. Não admira, portanto, que a Revolução Cultural se tenha tornado extremamente caótica e violenta, de modo que, por fim, tenha sido necessário, ainda nas palavras de Badiou, "restabelecer a ordem nas piores condições". O resultado é que impera hoje na China o mais brutal capitalismo, tanto estatal quanto privado.
Contudo, só a miopia ideológica impede de ver que, embora a "revolução" se tenha revelado um beco sem saída, o mundo em que vivemos encontra-se em fluxo incessante; e que a sociedade aberta, os direitos humanos, a livre expressão do pensamento, a maximização da liberdade individual compatível com a existência da sociedade, a autonomia da arte e da ciência etc. -que constituem exigências inegociáveis da crítica, isto é, da razão- constituem também as verdadeiras condições para torná-lo melhor.

Texto Publicado na Folha de São Paulo, 01 de maio de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Folha de S.Paulo - S�o Paulo - Cl�vis Rossi: Sangue no verde-e-amarelo - 15/04/2010

Folha de S.Paulo - S�o Paulo - Cl�vis Rossi: Sangue no verde-e-amarelo - 15/04/2010

Sangue no verde-e-amarelo

CLÓVIS ROSSI

Sangue no verde-e-amarelo

BRASÍLIA - Faz um mês, depois de visitar o Yad Vashem, o Museu do Holocausto, em Jerusalém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "a visita deveria ser quase obrigatória para todos os que querem dirigir uma nação". Seria, achava Lula, um modo de entender o "que pode acontecer quando a irracionalidade toma conta do ser humano".
O que faz depois o governo brasileiro? Recomenda a Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Irã, que visite o Yad Vashem? Não, ao contrário. O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), que, aliás, estava na visita ao museu de Jerusalém, entrega com um sorriso a camisa verde-e-amarela ao homem que nunca vai visitar o Yad Vashem, não só porque nega o Holocausto mas porque regularmente prega a "aniquilação" dos judeus.
É esse carinho absurdo o problema real das relações Brasil/Irã, e não a posição brasileira de preferir o diálogo às sanções para forçar o regime dos aiatolás a desenvolver um programa nuclear só para fins pacíficos.
Essa é matéria opinável. Tampouco é um problema o fato de Miguel Jorge e comitiva empresarial estarem em Teerã para fazer negócios. Desde sempre, países fazem negócios com quem lhes convêm, sem olhar minimamente para o caráter do regime com o qual negociam.
O que não é tolerável é fazer carinho em quem prende, tortura e mata os opositores, em quem limita brutalmente as liberdades públicas.
A Anistia Internacional divulgou faz pouco relatório em que aponta a execução de ao menos 112 pessoas no Irã nas oito semanas que se seguiram à reeleição de Ahmadinejad, vivamente contestada.
São mais de duas execuções por dia, quase o dobro da média dos seis meses anteriores à votação.
O gesto do governo brasileiro cobriu de sangue, pois, a camisa verde-e-amarela.
crossi@uol.com.br

segunda-feira, 15 de março de 2010

Por que algumas cidades são tão belas

As cidades européias são muito belas. Isso é um fato indiscutível.
São belas por causa dos seus belos edifícios e de seus belos parques.
Paris  e Londres têm  grandes parques públicos urbanos.
New York  é uma bela  cidade americana.  tem um enorme  parque urbano  público conhecido como  Central Park. 
São Paulo é uma grande cidade,  e lá também tem um enorme  Parque Publico urbano.
O parque do Ibirapuera.
Todas essas belas cidades  têm , além dos seus belos  edifícios e parques,  Shopping Centers .
Mas em nenhuma dessas  grandes e belas cidades,  os Shopping Centers  são construídos dentro dos seus parques.
Por que razão,  aqui no  Recife, deseja-se ter  um Shopping Center dentro de um Parque ?
Eduardo Aguiar- Arquiteto
Publicado na secção-  Cartas no  JC em 11 de março de 2010 - Motivo

Por que é inaceitável um Shopping Center dentro do sítio da Tamarineira

Numa cidade tão carente de espaços verdes públicos, o projeto proposto para instalar um Shopping pretende utilizar 3 hectares ou 33% de área dos 9 hectares existentes hoje na Tamarineira.
Os Shoppings  Centers não são construídos dentro de parques em lugar nenhum do mundo. 

Essa prática não existe.
Acreditem, e com esse percentual de ocupação, numa área nem tão grande assim para um parque, a  área a ser destinada a ser o parque, vai ser apenas o quintal do Shopping, como acontece com o Dona Lindu,  que ocupa  0,90 hectare ou 27% de área  dos  3,3 hectares  do terreno  que eles chamam de parque.  

http://www.recife.pe.gov.br/modelo.php?id=286&Tipo=D
Só para comparar, o parque Ibirapuera tem 154 hectares e as  construções lá existentes  não chegam a ocupar nem 5% da área total do parque.

O crime da Tamarineira

É assustador ouvir comentários como este  feito por um grupo de alunos do curso de Design da UFPE. Só mostra o total desconhecimento da evolução urbana das cidades. Não sabem eles que Igrejas, Hospitais, Palácios, e outros prédios de uso público, pelo seu caráter de permanência, não são removidos das cidades.
Na cidade de Paris, por exemplo muitos hospitais antigos encontram-se em funcionamento.
Entre eles , cito o O Hôtel-Dieu, hospital fundado no ano de 651, às margens do Rio Sena, hoje num local extremamente valorizado, e que havendo sido modernizado ao longo dos séculos, encontra-se até o presente em pleno funcionamento.
Ninguém jamais ousaria desativá-lo ou removê-lo para colocar no seu lugar, por uma conveniência puramente mercantilista, um Shopping Center.
A proposta de substituir o hospital por um Centro de Compras, além de ser um ato de barbárie, é descabida e inaceitável pois está baseada num premissa equivocada. Será que a Sociedade Recifense tornou-se tão bárbara assim para aceitar esse abusurdo?

Por que é tão importante preservar o Sitio da Tamarineira.

A área verde da Tamarineira é imprescindível para a Cidade, pois a cidade vem perdendo, e tudo indica que continuará a perder muita área verde com o boom imobiliário que vem ocorrendo no Recife nos últimos anos. Em decorrência disso , moradores da Tamarineira e de bairros vizinhos vem perdendo a cada ano "qualidade de vida". A perda de áreas verdes tem provocado um aumento da temperatura ambiente, e o excessivo adensamento urbano tem gerado um caos no transito que tem dificultado bastante o deslocamento das pessoas na cidade, seja de carro ou de ônibus. O problema do trânsito é muito grave e tende a piorar se um shopping for construído naquele local.
Nesse contexto, a transformação integral do sítio da Tamarineira em um grande parque , como um espaço publico é imprescindível para a qualidade de vida destes bairros. É o mínimo que o poder publico deve fazer.Será um dano irreparável para todos se lá, for construído um Shopping Center, ainda que ocupando parcialmente o sitio existente. Tenho esperança que as autoridades e o poder publico, respeitando direito de propriedade da Santa Casa evidentemente, se esta for a proprietária do terreno, possam achar outra solução que não implique em prejuízo para os moradores da Tamarineira e bairros vizinhos.
A prefeitura e Governo do Estado não podem se omitir desse debate.

O Recife tem poucas áreas verdes.

Os dados abaixo servem para  atestar que o Recife, ao contrário do que muitos possam  achar, tem muito pouca área verde.
Basta  compararmos, as áreas dos parques:
Central Park-NY - 341 hectares
Hyde park- Londres- 250 hectares
Parque Ibirapuera-SP- 158,4 Hectares
Tamarineira-Recife - 9 hectares
Parque da Jaqueira - 7 hectares
                  Com relação ao cálculo das áreas verdes necessárias para  uma  cidade, vários trabalhos e estudos  que são apresentados junto a OMS ,  apontam que  é  necessário  um  mínimo  de 12 a 16 m2 de área verde por habitante para que uma cidade possa ter uma quantidade satisfatória de área verde. 

 A cidade de Curitiba por  exemplo, tem  em torno de 50m2 de área verde por habitante.           
 A cidade de Londres , com seus generosos parques,  proporciona  cerca de 30 m2/AV/para cada habitante .  Já a cidade do Recife, segundo fontes da PCR,  com os seus  quase 450 parques, que são na mior parte pequenos parques, chega-se a mais ou menos 2m2 /AV /habitante . Se acrescido da vegetação das ruas, chega-se a 4m2/habitante.  Mesmo acrescendo as áreas verdes dos quintais das casas e prédios, jamais se chega a esse índice minimo, principalmente nos bairros de elevado  adensamento populacional e  verticalização  excessivas.  
                A falta de área  verde no Recife  vem sendo agravada  porque no cálculo do percentual de área verde que é exigido pela lei de uso do solo do Recife para o licenciamento das  edificações,  somente é  levado  em conta  a relação entre  as dimensões equivalentes à projeção horizontal da edificação  e a área do terreno,  independentemente do volume  de  metros quadrados   que são construídos  para cima, através da verticalização.  
Nesse  cálculo,  não  é contabilizado o tamanho da população  que  irá habitar o  imóvel , e consequentemente,  a qualidade de vida  que deveria ser  resultante  da   quantidade de habitantes  com  relação as  dimensões das  áreas   verdes, decresce  em razão  inversa   à  verticalização da cidade. E  no Recife,  os problemas decorrentes da verticalização,   gerados  pelo  adensamento urbano excessivo se agravaram   na  última década , muito em razão  das mudanças  na  legislação  não terem sido realizadas no devido momento.  
                  É um absurdo que isso continue a acontecer.   O poder publico municipal está sendo negligente há muito tempo,  comprometendo  assim  o futuro da cidade .