ARNALDO JABOR
O Estado de S Paulo, 17-agosto 2010
Hoje começa o circo da propaganda eleitoral, o desfile de horrores da política brasileira. Os dois carros-chefes do desfile, Dilma e Serra, correrão na frente de um trem fantasma de caras e bocas e bochechas que traçam um quadro sinistro do Brasil, fragmentado em mil pedaços - o despreparo, a comédia das frases, dos gestos, das juras de amor ao povo, da ostentação de dignidades mancas.
Os candidatos equilibram bolas no nariz como focas amestradas, dão "puns" de talco, dão cambalhotas no ar como babuínos de bunda vermelha, voando em trapézios para a macacada se impressionar e votar neles. Os candidatos têm de comer pastéis de vento, de carne, de palmito, buchada de bode e dizer que gostaram, têm de beber cerveja com bicheiros e vagabundos, têm de abraçar gordos fedorentos e aguentar velhinhas sem dente, beijar criancinhas mijadas, têm de ostentar atenção forçada aos papos com idiotas, têm de gargalhar e dar passinhos de "rebolation" quando gostariam de chorar no meio-fio - palhaços de um teatrinho absurdo num país virtual, num grande pagode onde a verdade é mentira e vice-versa.
Ninguém quer o candidato real; querem o que ele não é. A política virou um parafuso espanado que não rola mais na porca da vida social, mas todos fingem que só pensam no povo e não em futuras maracutaias.
Arrepios voltaram. Ninguém sabe o que vai acontecer. Só nos resta o mau ou bom agouro, o palpite, a orelha coçando, o cara ou coroa. Meu primeiro arrepio foi em 54. Estou do lado do rádio e ouço o Repórter Esso: "O presidente Vargas acaba de se suicidar com um tiro no peito!" O mundo quebrou com o peito de Getúlio sangrando, as empregadas correndo e chorando.
Estou no estribo de um bonde, em 61. "O Jânio Quadros renunciou!", grita um sujeito. Gelou-me a alma. Afinal, eu votara pela primeira vez naquele caspento louco (o avô "midiático" do Lula), mais carismático que o careca do general Lott. Eu já sentira arrepios quando ele proibiu biquínis nas praias. Tínhamos elegido um louco - não seria o único...
Em 64, dias antes do golpe militar - o comício da Central do Brasil. Serra também estava, falando, de presidente da UNE. Clima de vitória do "socialismo" que Jango nos daria (até para fazer "revolução" precisamos do governo...). Tochas dos bravos operários da Petrobrás, hinos, Jango discursando, êxtase político: seríamos a pátria do socialismo carnavalesco. Volto para casa, eufórico, mas, já no ônibus, passando no Flamengo, vejo uma vela acesa em cada janela da classe média, em sinal de luto pelo comício de "esquerda". Na noite "socialista", cada janela era uma estrelinha de direita. "Não vai dar certo essa porra..." - pensei, arrepiado. Não deu.
Ainda em 64, festa do "socialismo" no teatro da UNE. 31 de março, 11 da noite. Elza Soares, Nora Ney, Grande Otelo comemoram o show da vitória. No dia seguinte, a UNE pegava fogo, apedrejada por meus coleguinhas fascistas da PUC. Na capa da revista O Cruzeiro, um baixinho feio, vestido de verde-oliva me olha. Quem é? É o novo presidente, Castelo Branco. Corre-me o arrepio na alma: minha vida adulta foi determinada por aquele dia. O sonho virou um pesadelo de 20 anos.
Depois, vem o Costa e Silva, outro arrepio, sua cara de burro triste e, pior, sua mulher perua brega no poder. Aí, começaram as passeatas, assembleias contra a ditadura. Costa e Silva tinha alguns traços populistas e resolveu dialogar com os líderes do movimento democrático. Uma comissão vai conversar com o presidente. Aí, outro absurdo - os membros da comissão se recusam a vestir paletó e gravata na entrada do palácio: "Não usamos gravatas burguesas!" e o encontro fracassa. Ninguém lembra disso; só eu, que sou maluco e olho os detalhes.
Tancredo entrou no hospital e arrepiou-me o sorriso deslumbrado dos médicos de Brasília no Fantástico, amparando o presidente como um boneco de ventríloquo; tremeu-me o corpo quando vi que nossa história fora mudada por um micróbio em seu intestino.
Arrepiou-me ver o Sarney, homem da ditadura, posando de "oligarca esclarecido" na transição democrática, com seu jaquetão de "teflon", até hoje intocado. Assustei-me com a moratória de 87, aterrorizou-me a inflação de 80% ao mês. E, depois, vejo a foto do Collor na capa da Veja - com todo mundo dizendo: "Ele é jovem, bonito, macho...", revirando os olhos numa veadagem ideológica. Foi um período tragicômico, com a nação olhando pela fechadura da "Casa da Dinda" para saber do seu destino. Depois o período do "impeachment", dos caras-pintadas, num breve refresco dos arrepios. Durante Itamar, a letargia jeca-tatu, só quebrada pela mudança na economia com o Plano Real que FHC fez (que depois foi roubado pelo Lula, claro...). Aí, 1994, o ano da esperança, Brasil tetra na Copa e um grande intelectual de esquerda subindo ao poder. Mas meu arrepio histórico logo voltou, quando vi que a Academia em peso odiava FHC por inveja e rancor, criando chavões como "neoliberalismo", "alianças espúrias" (infantis, comparadas com a era Lula). Os radicais de cervejaria ou de estrebaria não deram um escasso crédito de confiança a FHC que veio com uma nova agenda, para reformar o Estado patrimonialista.
Durante o mandato, o próprio governo FHC cometeu seu erro máximo que até hoje repercute - não explicou didaticamente para a população a revolução estrutural que realizava: estabilização da economia, lei de responsabilidade fiscal, privatizações essenciais, consolidação da dívida interna, saneamento bancário que nos salvou da crise de hoje, telefonia, tudo aquilo que, depois, Lula desapropriou como obra sua. É arrepiante ver a mentira com 80% de ibope.
Arrepiou-me a morte de Sergio Motta, Mário Covas e Luís Eduardo Magalhães, levando para o túmulo a autoestima do PSDB, o partido que se esvai e apanha calado.
Hoje, estamos diante do mistério: Dilma ou Serra? Teremos a sabotagem radical de tropas pelegas impedindo Serra de governar ou o "revival" do arremedo de socialismo que já era ridículo em 63? Arrepio-me.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Carta a um grande amigo.
Por Eduardo Aguiar
Meu caro e grande amigo,
Leio sempre que posso, aos domingos, os artigos desse jovem senhor de 80 anos, o Poeta Ferreira Gullar. Sou fã dele . Para mim é sempre um prazer ler seus artigos e livros que falam sobre arte, critica de arte e, de política. Para mim, suas reflexões têm um valor inestimável , pois são reflexões de um "artista" idealista que viveu intensamente os tempos em que se lutava pelos ideais de liberdade e democracia no Brasil e mundo afora.
Foi comunista, perseguido político pela ditadura, exilado em Moscou , na Argentina, e por muito pouco escapou de não ser um dos milhares de desaparecidos politicos no Chile.
Portanto suas opiniões e criticas a respeito da politica no Brasil e sobre o nosso presidente não as opiniões de qualquer um. Suas criticas não me parecem ser fruto de imcompreensão ou antipatia pelo lula. Pelo contrário, me parecem que são construídas com a devida parcimônia, baseadas numa análise lógica e imparcial dos fatos que vêm ocorrendo no governo lula desde o seu início e que falam por si mesmos.
As críticas do Ferreira Gullar refletem uma progresiva desilusão e desencanto com os rumos escolhidos por aquele a quem foi confiada a tarefa de dirigir esse grande país .
Estou com ele nessa reflexão.
No início achava que os deslizes iniciais das quais Luiz inácio Lula da Silva era sempre a vítima, eram devido a sua baixa escolaridade,..... ou devido à sua inexperiência no poder, e que com o tempo seriam superadas. Afinal, todos nós sabemos que o Brasil não é para principiantes.
No entanto, meu caro amigo, acho que a coisa só tem piorado.Começando pelo escândalo do mensalão, que ele sabia de tudo, tentou se omitir e depois encobrir os fatos, até às suas recentes atitudes, quando comparou de forma até desdenhosa , a greve de fome de um dos prisioneiros cubanos que morreu em protesto político à ditadura de Fidel, com criminosos do PCC , esse sujeito aí é muito distante daquele Lula que de antes de ser presidente, e que encantava a todos nós pela sua trajetória de vida, por ter sido menino pobre , pau de arara que tornou-se metalurgico e líder sindicalista, etc.. etc.. e que chegou a presidência .
Naquele momento ele personificava a esperança da liberdade, da moralidade e da ética e da justiça sobre o Brasil autoritário e injusto do passado. Muitos votaram nele por acreditar nisso.
Mas hoje, diante dessas atitudes eu não tenho dúvidas de que aquele sujeito vendeu a alma ao diabo para permanecer no poder e que o poder subiu-lhe a cabeça.
Também não tenho duvidas de que a sujeira é grande, mas cabia a ele ao menos limpá-la, para dar o exemplo , afinal ele é o líder...... No entanto , pelo que se vê, parece-me que ele tem feito justamente o contrário , e a sujeira que ficou nas mãos foi tanta que pelo jeito entrou na sua corrente sanguínea. Não tem mais jeito. Acho ilusão ver algo diferente disso.
Sobre ser o timoneiro, como pode um comandante manter a disciplina , a moral da tripulação, de ser respeitado e admirado, de manter a autoridade de forma legítima diante de seus comandados, se ele diante das adversidades que são inerentes ao ofício, facilmente sucumbe aos piores vícios , e escolhe comportar-se como um sujeito desmoralizado, despido de quaisquer valores éticos por acreditar que esse seja o único meio de continuar no posto de comandante. Ora.....
Muitos votaram nele por acreditar que ele seria capaz de fazer política diferente disso.
Não é implicância nem antipatia por ele ter sido pobre, nordestino ou e sem educação, ou etc.. etc... mas por ele ter não seguido o caminho dos justos, dos homens honestos e de boa fé. Hoje é só decepção. É isso.
Em tempo, A Dilma , mal começou já sujou as mãos "limpando " a barra do filho de Sarney junto a Receita Federal . O filho de Sarney, desviou milhões de dólares para a suíça, e com esse dinheiro todo e influência politica , fez a justiça censurar um jornal para ninguem ficar sabendo disso.
Imagine depois de eleita.
Um Abraço grande,
----- Original Message -----
Meu caro e grande amigo,
Leio sempre que posso, aos domingos, os artigos desse jovem senhor de 80 anos, o Poeta Ferreira Gullar. Sou fã dele . Para mim é sempre um prazer ler seus artigos e livros que falam sobre arte, critica de arte e, de política. Para mim, suas reflexões têm um valor inestimável , pois são reflexões de um "artista" idealista que viveu intensamente os tempos em que se lutava pelos ideais de liberdade e democracia no Brasil e mundo afora.
Foi comunista, perseguido político pela ditadura, exilado em Moscou , na Argentina, e por muito pouco escapou de não ser um dos milhares de desaparecidos politicos no Chile.
Portanto suas opiniões e criticas a respeito da politica no Brasil e sobre o nosso presidente não as opiniões de qualquer um. Suas criticas não me parecem ser fruto de imcompreensão ou antipatia pelo lula. Pelo contrário, me parecem que são construídas com a devida parcimônia, baseadas numa análise lógica e imparcial dos fatos que vêm ocorrendo no governo lula desde o seu início e que falam por si mesmos.
As críticas do Ferreira Gullar refletem uma progresiva desilusão e desencanto com os rumos escolhidos por aquele a quem foi confiada a tarefa de dirigir esse grande país .
Estou com ele nessa reflexão.
No início achava que os deslizes iniciais das quais Luiz inácio Lula da Silva era sempre a vítima, eram devido a sua baixa escolaridade,..... ou devido à sua inexperiência no poder, e que com o tempo seriam superadas. Afinal, todos nós sabemos que o Brasil não é para principiantes.
No entanto, meu caro amigo, acho que a coisa só tem piorado.Começando pelo escândalo do mensalão, que ele sabia de tudo, tentou se omitir e depois encobrir os fatos, até às suas recentes atitudes, quando comparou de forma até desdenhosa , a greve de fome de um dos prisioneiros cubanos que morreu em protesto político à ditadura de Fidel, com criminosos do PCC , esse sujeito aí é muito distante daquele Lula que de antes de ser presidente, e que encantava a todos nós pela sua trajetória de vida, por ter sido menino pobre , pau de arara que tornou-se metalurgico e líder sindicalista, etc.. etc.. e que chegou a presidência .
Naquele momento ele personificava a esperança da liberdade, da moralidade e da ética e da justiça sobre o Brasil autoritário e injusto do passado. Muitos votaram nele por acreditar nisso.
Mas hoje, diante dessas atitudes eu não tenho dúvidas de que aquele sujeito vendeu a alma ao diabo para permanecer no poder e que o poder subiu-lhe a cabeça.
Também não tenho duvidas de que a sujeira é grande, mas cabia a ele ao menos limpá-la, para dar o exemplo , afinal ele é o líder...... No entanto , pelo que se vê, parece-me que ele tem feito justamente o contrário , e a sujeira que ficou nas mãos foi tanta que pelo jeito entrou na sua corrente sanguínea. Não tem mais jeito. Acho ilusão ver algo diferente disso.
Sobre ser o timoneiro, como pode um comandante manter a disciplina , a moral da tripulação, de ser respeitado e admirado, de manter a autoridade de forma legítima diante de seus comandados, se ele diante das adversidades que são inerentes ao ofício, facilmente sucumbe aos piores vícios , e escolhe comportar-se como um sujeito desmoralizado, despido de quaisquer valores éticos por acreditar que esse seja o único meio de continuar no posto de comandante. Ora.....
Muitos votaram nele por acreditar que ele seria capaz de fazer política diferente disso.
Não é implicância nem antipatia por ele ter sido pobre, nordestino ou e sem educação, ou etc.. etc... mas por ele ter não seguido o caminho dos justos, dos homens honestos e de boa fé. Hoje é só decepção. É isso.
Em tempo, A Dilma , mal começou já sujou as mãos "limpando " a barra do filho de Sarney junto a Receita Federal . O filho de Sarney, desviou milhões de dólares para a suíça, e com esse dinheiro todo e influência politica , fez a justiça censurar um jornal para ninguem ficar sabendo disso.
Imagine depois de eleita.
Um Abraço grande,
----- Original Message -----
BOLÍVAR LAMOUNIER - A 'mexicanização' em marcha
O processo sucessório presidencial em curso comporta dois cenários marcadamente assimétricos, conforme o vencedor seja José Serra ou Dilma Rousseff. Se for José Serra, não é difícil prever a cerrada oposição que ele sofrerá por parte do PT e dos "movimentos sociais", entidades estudantis e sindicatos controlados por ele - e, provavelmente, do próprio Lula. Se for Dilma Rousseff - como as pesquisas estão indicando -, o cenário provável é a ausência, e não o excesso, de oposição. Para bem entender esta hipótese convém levar em conta dois fatos adicionais. Primeiro, o cenário Dilma não se esgota na figura da ex-ministra. Ele inclui, entre os elementos mais relevantes, o controle de ambas as Casas do Congresso Nacional pela dupla PT e PMDB. Inclui também uma entidade institucional inédita, personificada por Lula. Semelhante, neste aspecto, a um aiatolá, atuando de fora para dentro do governo, Lula tentará, como é óbvio, influenciar o conjunto do sistema político no sentido que lhe parecer conveniente ao governo de sua pupila ou a seus próprios interesses. Emitirá juízos positivos ou negativos, em graus variáveis de sutileza, sobre medidas tomadas pelo governo e regulará não só o comportamento da base governista no Congresso, mas também os movimentos de sístole e diástole da "sociedade civil organizada" - entendendo-se por tal os sindicatos, segmentos corporativos e demais organizações sensíveis à sua orientação. O segundo fato a considerar é a extensão da derrota que Lula terá conseguido impor à oposição. Claro, a eventual derrota será também consequência das ambiguidades, das divisões e dos equívocos da própria oposição, mas o fator determinante será, evidentemente, a ação de Lula e do esquema de forças sob seu comando. Deixo de lado, por óbvio, as condições econômicas extremamente favoráveis, o Bolsa-Família, a popularidade do presidente, etc.
José Serra ficará sem mandato até 2012, pelo menos. No Senado - a menos que sobrevenha alguma reorganização das forças políticas -, Aécio Neves fará parte de uma pequena minoria parlamentar, situação em que ele dificilmente exercerá com desenvoltura as suas habilidades políticas. Nos Estados, os governadores eventualmente eleitos pelo PSDB, sujeitos ao torniquete financeiro do governo federal, estarão igualmente vulneráveis ao rolo compressor governista. Longe de mim subestimar lideranças novas, como a de Beto Richa, no Paraná, e a de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Mas não é por acaso que Lula já se apresta a batalha por São Paulo, indicando claramente a sua disposição de empregar todo o arsenal necessário a fim de reverter o favoritismo tucano neste Estado. Resumo da ópera: no cenário Dilma, o conjunto de engrenagens que Lula montou ao longo dos últimos sete anos e meio entrará em pleno funcionamento, liquidando por certo período as chances de uma oposição eficaz. A prevalecer tal cenário, parece-me fora de dúvida que a democracia brasileira adentrará uma quadra histórica não isenta de riscos.
É oportuno lembrar que o esquema de poder ora dominante abriga setores não inteiramente devotados à democracia representativa, adeptos seja do populismo que grassa em países vizinhos, seja de uma nebulosa "democracia direta", que de direta não teria nada, pois seus atores seriam, evidentemente, movimentos radicais e organizações corporativas. Claro indício da presença de tais setores é a famigerada tese do "controle social da mídia", eufemismo para intervenção em empresas jornalísticas e imposição de censura prévia.
Na Primeira República (1889-1930), a "situação" - ou seja, os governantes e seus aliados nos planos federal e estadual - esmagava a oposição. Foram poucas e parciais as exceções a essa regra. Mas a estratégia levada a cabo por Lula está indo muito além. É abrangente, notavelmente sagaz e tem um objetivo bem definido: alvejar em cheio a oposição tucana. Para bem compreendê-la seria mister voltar ao primeiro mandato, ao discurso da "herança maldita", sem precedente em nossa História republicana no que se refere ao envenenamento da imagem do antecessor; à anistia, retoricamente construída, a diversos corruptos e até a indivíduos que se aprestavam a cometer um crime - os "aloprados"; e aos primórdios da estratégia especificamente eleitoral, ao chamado confronto plebiscitário, em nome do qual ele liquidou no nascedouro toda veleidade de autonomia por parte de quantos se dispusessem a concorrer paralelamente a Dilma Rousseff. A Ciro Gomes Lula não concedeu sequer a graça de uma "sublegenda", para evocar um termo do período militar.
Para o bem ou para o mal, a única oposição político-eleitoral potencialmente capaz de fazer frente ao rolo compressor lulista é a aliança PSDB-DEM-PPS. No horizonte de tempo em que estou pensando - digamos, os próximos quatro anos -, não há alternativa. Portanto, a operação a que estamos assistindo, com seu claro intento de esterilizar ou virtualmente aniquilar essa aliança, coloca-nos nas cercanias de um regime autoritário.
Sem a esterilização ou o aniquilamento político-eleitoral da mencionada coalizão, não há como cogitar de um projeto de poder hegemônico, de longo prazo e sem real alternância de poder. A esterilização pode resultar de uma estratégia deliberada por parte do comando político existente em dado momento, de uma conjunção de erros, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas - ou de ambas as coisas.
Sociologicamente falando, não há funcionamento efetivo da democracia, quaisquer que sejam os arranjos constitucionais vigentes, num país onde não exista uma oposição eleitoralmente viável. Haverá, na melhor das hipóteses, um autoritarismo disfarçado, um "chavismo branco" ou, se preferem, um regime mexican style - aquele dominado durante seis décadas pelo PRI, o velho Partido Revolucionário Institucional mexicano.
José Serra ficará sem mandato até 2012, pelo menos. No Senado - a menos que sobrevenha alguma reorganização das forças políticas -, Aécio Neves fará parte de uma pequena minoria parlamentar, situação em que ele dificilmente exercerá com desenvoltura as suas habilidades políticas. Nos Estados, os governadores eventualmente eleitos pelo PSDB, sujeitos ao torniquete financeiro do governo federal, estarão igualmente vulneráveis ao rolo compressor governista. Longe de mim subestimar lideranças novas, como a de Beto Richa, no Paraná, e a de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Mas não é por acaso que Lula já se apresta a batalha por São Paulo, indicando claramente a sua disposição de empregar todo o arsenal necessário a fim de reverter o favoritismo tucano neste Estado. Resumo da ópera: no cenário Dilma, o conjunto de engrenagens que Lula montou ao longo dos últimos sete anos e meio entrará em pleno funcionamento, liquidando por certo período as chances de uma oposição eficaz. A prevalecer tal cenário, parece-me fora de dúvida que a democracia brasileira adentrará uma quadra histórica não isenta de riscos.
É oportuno lembrar que o esquema de poder ora dominante abriga setores não inteiramente devotados à democracia representativa, adeptos seja do populismo que grassa em países vizinhos, seja de uma nebulosa "democracia direta", que de direta não teria nada, pois seus atores seriam, evidentemente, movimentos radicais e organizações corporativas. Claro indício da presença de tais setores é a famigerada tese do "controle social da mídia", eufemismo para intervenção em empresas jornalísticas e imposição de censura prévia.
Na Primeira República (1889-1930), a "situação" - ou seja, os governantes e seus aliados nos planos federal e estadual - esmagava a oposição. Foram poucas e parciais as exceções a essa regra. Mas a estratégia levada a cabo por Lula está indo muito além. É abrangente, notavelmente sagaz e tem um objetivo bem definido: alvejar em cheio a oposição tucana. Para bem compreendê-la seria mister voltar ao primeiro mandato, ao discurso da "herança maldita", sem precedente em nossa História republicana no que se refere ao envenenamento da imagem do antecessor; à anistia, retoricamente construída, a diversos corruptos e até a indivíduos que se aprestavam a cometer um crime - os "aloprados"; e aos primórdios da estratégia especificamente eleitoral, ao chamado confronto plebiscitário, em nome do qual ele liquidou no nascedouro toda veleidade de autonomia por parte de quantos se dispusessem a concorrer paralelamente a Dilma Rousseff. A Ciro Gomes Lula não concedeu sequer a graça de uma "sublegenda", para evocar um termo do período militar.
Para o bem ou para o mal, a única oposição político-eleitoral potencialmente capaz de fazer frente ao rolo compressor lulista é a aliança PSDB-DEM-PPS. No horizonte de tempo em que estou pensando - digamos, os próximos quatro anos -, não há alternativa. Portanto, a operação a que estamos assistindo, com seu claro intento de esterilizar ou virtualmente aniquilar essa aliança, coloca-nos nas cercanias de um regime autoritário.
Sem a esterilização ou o aniquilamento político-eleitoral da mencionada coalizão, não há como cogitar de um projeto de poder hegemônico, de longo prazo e sem real alternância de poder. A esterilização pode resultar de uma estratégia deliberada por parte do comando político existente em dado momento, de uma conjunção de erros, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas - ou de ambas as coisas.
Sociologicamente falando, não há funcionamento efetivo da democracia, quaisquer que sejam os arranjos constitucionais vigentes, num país onde não exista uma oposição eleitoralmente viável. Haverá, na melhor das hipóteses, um autoritarismo disfarçado, um "chavismo branco" ou, se preferem, um regime mexican style - aquele dominado durante seis décadas pelo PRI, o velho Partido Revolucionário Institucional mexicano.
O uso da imagem do Lula por Serra.
Por Eduardo Aguiar.
A oposição vem tendo dificuldades de mostrar as qualidades individuais dos seus candidatos frente a imensa popularidade do Lula e ao uso abusivo da máquina do governo nessa eleição, em razão disso, a única opção possível no momento parece ser de fazer uso da imagem do candidato junto a imagem do presidente Lula para ver se assim chega-se a uma “igualdade de condições entre os candidatos”. Acho que essa estratégia é dirigida aos eleitores menos esclarecidos para eles mudarem o foco e prestarem mais atenção ao perfil individual dos seus candidatos e não simplesmente votarem em qualquer candidato apenas por ter a sua imagem colada a imagem de Lula. Para o eleitor, é aquela coisa, “bom, se todos têm o Lula ao seu lado, vou agora ver quais são as diferenças e as qualidades entre eles. Se é ético ou se vai funcionar , não sei. Gostem ou não, o Lula é um líder popular. Acho um erro, vergonhoso e até covarde o PSDB esconder FHC, por mais impopular que ele tenha sido. Afinal, o governo dele teve mais méritos do que defeitos se levarmos em conta o CAOS que era o Brasil antes dele e que ele ajudou a mudar.. É consenso entre os economistas mais respeitáveis que a estabilização da economia do país deve-se ao governo FHC e de que sem a estabilização, o Brasil não poderia estar crescendo como hoje está no governo Lula. A estabilização da economia, como o fim da inflação, custou um enorme sacrifício, obrigou o governo e a sociedade a “apertarem o cinto”, a controlar os gastos e isso ninguém gosta, isso não é popular. De uma coisa eu tenho certeza: O que a campanha do PT menos deseja é que o povo possa acreditar que Serra possa continuar o governo atual assim como o Lula continuou muita coisa do governo de FHC. Por isso que o PT tenta a todo custo negar tudo que foi realizado no Brasil no governo FHC e continuado e pelo governo Lula. Essa coisa de um grupo querer se firmar no poder negando da realização e os méritos do grupo antecessor não é novidade na política nem na vida. O que não acho correto é o grupo negar e ao mesmo tempo se apropriar dos feitos do grupo anterior , como o PT vem fazendo sistematicamente. Outro dia disseram que a inflação acabou quando o Lula assumiu o governo. Esse vídeo do Lula antes de ser eleito, falando mal dos programas assistencialistas como bolsa escola, bolsa gás e outros do governo do governo FHC não é surpresa, pois ele e o PT durante os 8 anos de FHC fizeram oposição cerrada ao plano de estabilização da economia.
A oposição vem tendo dificuldades de mostrar as qualidades individuais dos seus candidatos frente a imensa popularidade do Lula e ao uso abusivo da máquina do governo nessa eleição, em razão disso, a única opção possível no momento parece ser de fazer uso da imagem do candidato junto a imagem do presidente Lula para ver se assim chega-se a uma “igualdade de condições entre os candidatos”. Acho que essa estratégia é dirigida aos eleitores menos esclarecidos para eles mudarem o foco e prestarem mais atenção ao perfil individual dos seus candidatos e não simplesmente votarem em qualquer candidato apenas por ter a sua imagem colada a imagem de Lula. Para o eleitor, é aquela coisa, “bom, se todos têm o Lula ao seu lado, vou agora ver quais são as diferenças e as qualidades entre eles. Se é ético ou se vai funcionar , não sei. Gostem ou não, o Lula é um líder popular. Acho um erro, vergonhoso e até covarde o PSDB esconder FHC, por mais impopular que ele tenha sido. Afinal, o governo dele teve mais méritos do que defeitos se levarmos em conta o CAOS que era o Brasil antes dele e que ele ajudou a mudar.. É consenso entre os economistas mais respeitáveis que a estabilização da economia do país deve-se ao governo FHC e de que sem a estabilização, o Brasil não poderia estar crescendo como hoje está no governo Lula. A estabilização da economia, como o fim da inflação, custou um enorme sacrifício, obrigou o governo e a sociedade a “apertarem o cinto”, a controlar os gastos e isso ninguém gosta, isso não é popular. De uma coisa eu tenho certeza: O que a campanha do PT menos deseja é que o povo possa acreditar que Serra possa continuar o governo atual assim como o Lula continuou muita coisa do governo de FHC. Por isso que o PT tenta a todo custo negar tudo que foi realizado no Brasil no governo FHC e continuado e pelo governo Lula. Essa coisa de um grupo querer se firmar no poder negando da realização e os méritos do grupo antecessor não é novidade na política nem na vida. O que não acho correto é o grupo negar e ao mesmo tempo se apropriar dos feitos do grupo anterior , como o PT vem fazendo sistematicamente. Outro dia disseram que a inflação acabou quando o Lula assumiu o governo. Esse vídeo do Lula antes de ser eleito, falando mal dos programas assistencialistas como bolsa escola, bolsa gás e outros do governo do governo FHC não é surpresa, pois ele e o PT durante os 8 anos de FHC fizeram oposição cerrada ao plano de estabilização da economia.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
A cigarra e a formiga.
Por Eduardo Aguiar
It’s the economy, stupid! Frase da campanha de Bill Clinton...A economia ruim foi o que elegeu Clinton numa eleição fácil...contra George Bush pai. No Brasil de hoje é a economia que anda bem e isso faz com que as pessoas prefiram votar na candidata desconhecida e incompetente que o Lula mandou votar. A classe média brasileira está abestalhada, satisfeita consumindo tudo que pode, achando que o país é uma suécia, delirante....esquecem da precariedade dos serviços públicos, da falta de investimentos na infraestrutura, na violência, da corrupção, etc.. Enfim, da Merda que o país é.
Preferem acreditar no Brasil da propaganda eleitoral de Dilma. O brasileiro é imediatista pela sua própria natureza. O que interessa é o hoje e hoje todo mundo está com dinheiro, emprego e consumindo. Nada mais importa. Lula faz jogo da galera com o uso do dinheiro público.
Amanhã é outro dia..... São as como as cigarras na fábula da cigarra com a formiga. Hoje é tempo de farra...... mas amanhã o inverno chegará e junto com ele, a conta das despesas junto com os tucanos ou qualquer outro partido menos irresponsável e oportunista que o PT para "consertar a casa" e aí começará tudo de novo........
It’s the economy, stupid! Frase da campanha de Bill Clinton...A economia ruim foi o que elegeu Clinton numa eleição fácil...contra George Bush pai. No Brasil de hoje é a economia que anda bem e isso faz com que as pessoas prefiram votar na candidata desconhecida e incompetente que o Lula mandou votar. A classe média brasileira está abestalhada, satisfeita consumindo tudo que pode, achando que o país é uma suécia, delirante....esquecem da precariedade dos serviços públicos, da falta de investimentos na infraestrutura, na violência, da corrupção, etc.. Enfim, da Merda que o país é.
Preferem acreditar no Brasil da propaganda eleitoral de Dilma. O brasileiro é imediatista pela sua própria natureza. O que interessa é o hoje e hoje todo mundo está com dinheiro, emprego e consumindo. Nada mais importa. Lula faz jogo da galera com o uso do dinheiro público.
Amanhã é outro dia..... São as como as cigarras na fábula da cigarra com a formiga. Hoje é tempo de farra...... mas amanhã o inverno chegará e junto com ele, a conta das despesas junto com os tucanos ou qualquer outro partido menos irresponsável e oportunista que o PT para "consertar a casa" e aí começará tudo de novo........
Stalinismo
Por Eduardo Aguiar
Amigos,
O Jabour é conhecido hoje em dia por alguns como sendo um sujeito "reacionário" porque acusa o governo lula de estar levando o Brasil para o Stalinismo.
Eu, na minha ignorância antes de saber o sentido amplo do termo "Stalinismo" achava que ele exagerava nas suas críticas ao governo Lula, chamando-o de comunista, mas hoje depois de ler um pouco mais a respeito sobre o Stalinismo , vejo que a sua crítica não era infundada.
Convido os amigos a lerem mais a respeito, no Wikipedia , ou noutras fontes se quiserem ser mais "eruditos".
O Site do PSTU esclarece bem o termo e as diferenças entre as correntes socialistas de Trotsky, Lenin e Stalin.
Acho até mesmo que a critica de Jabour segue bem a linha critica do PSTU que acusa o governo Lula de ser de linha "Stalinista".
Tirando a violência e a perseguição política que são práticas caracteracterísticas dos regimes totalitários, fica fácil ver que são muitas as semelhanças "político-ideológicas " do governo do Lula com o que se conhece vulgarmente como "Stalinismo".
Para muitos Marxistas, Stalinismo ao contrário do que se pensa, não tem nada a ver com aquilo que conhecemos como Comunismo e como a tomada do poder pela classe trabalhadora, e até mesmo com o Socialismo.
Para defensores das idéias de Marx, o Stalinismo tem mais a ver com a perversão dos seus ideais, e muito mais a ver com a centralização do poder do estado na mão de poucos que é quem explora o proletariado e que tem como feito principal, a burocratização do Estado.
Nesse caso teríamos que se chama de "aparelhamento do estado" por um "partido único".
Lá na URSS o partido único foi o partido comunista, aqui seria pelo PT seus partidos aliados.
O Stalinismo não admite a existência do capitalismo de mercado, onde a propriedade dos meios de produção encontra-se dispersa, isto é, pertence aos cidadãos, mais ou menos organizados em empresas, ou ao Estado, frequentemente aparecendo ambos em parceria.
No regimes " Stalinistas" há o que se chama de capitalismo de Estado. No Capitalismo de Estado, o estado detém a propriedade de quase todos os meios de produção, que teoricamente pertenceria ao povo, mas que na prática tem seu controle pertencente a um partido político.
O receio que muitos tem em relação ao excessivo poder nas mãos de Lula e do PT é com relação ao perigo que isso pode trazer ao Brasil.
A máquina pública usada politicamente pelo partido junto com a popularidade do Lula poderiam juntos ser usados como instrumentos para transformar o Brasil num país de regime " Stalinista" ou " Neo -Stalinista", onde o capitalismo de mercado seria trocado por um capitalismo de estado.
Em relação ao que ocorre contexto político atual Isso não é delírio não.
A história mostra que o capitalismo de estado não é a melhor escolha sob o ponto de vista da economia pois nos moldes da União soviética ou da Alemanha não funcionou e ainda trouxe enormes prejuízos às liberdades individuais, a liberdade de imprensa além de ter acarretado um enorme atraso na educação e na cultura desses países.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stalinismo
http://www.pstu.org.br/autor_materia.asp?id=7675&ida=49
http://quartarepublica.blogspot.com/2009/04/capitalismo-de-estado-versus.html
Amigos,
O Jabour é conhecido hoje em dia por alguns como sendo um sujeito "reacionário" porque acusa o governo lula de estar levando o Brasil para o Stalinismo.
Eu, na minha ignorância antes de saber o sentido amplo do termo "Stalinismo" achava que ele exagerava nas suas críticas ao governo Lula, chamando-o de comunista, mas hoje depois de ler um pouco mais a respeito sobre o Stalinismo , vejo que a sua crítica não era infundada.
Convido os amigos a lerem mais a respeito, no Wikipedia , ou noutras fontes se quiserem ser mais "eruditos".
O Site do PSTU esclarece bem o termo e as diferenças entre as correntes socialistas de Trotsky, Lenin e Stalin.
Acho até mesmo que a critica de Jabour segue bem a linha critica do PSTU que acusa o governo Lula de ser de linha "Stalinista".
Tirando a violência e a perseguição política que são práticas caracteracterísticas dos regimes totalitários, fica fácil ver que são muitas as semelhanças "político-ideológicas " do governo do Lula com o que se conhece vulgarmente como "Stalinismo".
Para muitos Marxistas, Stalinismo ao contrário do que se pensa, não tem nada a ver com aquilo que conhecemos como Comunismo e como a tomada do poder pela classe trabalhadora, e até mesmo com o Socialismo.
Para defensores das idéias de Marx, o Stalinismo tem mais a ver com a perversão dos seus ideais, e muito mais a ver com a centralização do poder do estado na mão de poucos que é quem explora o proletariado e que tem como feito principal, a burocratização do Estado.
Nesse caso teríamos que se chama de "aparelhamento do estado" por um "partido único".
Lá na URSS o partido único foi o partido comunista, aqui seria pelo PT seus partidos aliados.
O Stalinismo não admite a existência do capitalismo de mercado, onde a propriedade dos meios de produção encontra-se dispersa, isto é, pertence aos cidadãos, mais ou menos organizados em empresas, ou ao Estado, frequentemente aparecendo ambos em parceria.
No regimes " Stalinistas" há o que se chama de capitalismo de Estado. No Capitalismo de Estado, o estado detém a propriedade de quase todos os meios de produção, que teoricamente pertenceria ao povo, mas que na prática tem seu controle pertencente a um partido político.
O receio que muitos tem em relação ao excessivo poder nas mãos de Lula e do PT é com relação ao perigo que isso pode trazer ao Brasil.
A máquina pública usada politicamente pelo partido junto com a popularidade do Lula poderiam juntos ser usados como instrumentos para transformar o Brasil num país de regime " Stalinista" ou " Neo -Stalinista", onde o capitalismo de mercado seria trocado por um capitalismo de estado.
Em relação ao que ocorre contexto político atual Isso não é delírio não.
A história mostra que o capitalismo de estado não é a melhor escolha sob o ponto de vista da economia pois nos moldes da União soviética ou da Alemanha não funcionou e ainda trouxe enormes prejuízos às liberdades individuais, a liberdade de imprensa além de ter acarretado um enorme atraso na educação e na cultura desses países.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stalinismo
http://www.pstu.org.br/autor_materia.asp?id=7675&ida=49
http://quartarepublica.blogspot.com/2009/04/capitalismo-de-estado-versus.html
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Continuidade e alternância
Continuidade e alternância
FERREIRA GULLAR
Folha SP 16-07-2010
Qual dos candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?
ATÉ O MOMENTO em que escrevo esta crônica, a situação dos dois principais candidatos à Presidência da República continua indefinida. A menos que haja uma súbita mudança na avaliação deles pelo eleitorado, a disputa deve se manter acirrada até o último momento.
Na opinião de Lula e do PT, Dilma Roussef vencerá o pleito e até, dizem eles, no primeiro turno. É natural que o digam, ainda que da boca para fora, porque se deixarem transparecer a mínima dúvida quanto à vitória, sua candidatura se desfará como um castelo de cartas.
E a razão disso é que essa candidatura se apoia única e exclusivamente na possibilidade de transferência da popularidade de Lula para a candidata que ele inventou.
Ela mesma, Dilma, nunca pretendeu candidatar-se a nenhum cargo eletivo, muito menos ao posto supremo da nação. Lula a inventou candidata apesar disso, mesmo porque não havia muito o que escolher dentro de seu partido.
A hipótese de Lula é que, apresentando Dilma como a continuadora de seu governo, que conta com mais de 70% de aprovação, ela seria eleita. Parece lógico, mas talvez não seja tão simples quanto parece.
Tudo depende de como o eleitor receberá a proposta de Lula, e depende também de como o candidato do PSDB se comportará em face dela. Se José Serra, de fato, não confrontar a tese de Lula, ela prevalecerá e Dilma terá grande chance de vencer as eleições. Mas e se, ao contrário, ele achar que a história não é bem assim, se entender que a continuidade administrativa é uma norma a ser seguida pelo futuro ocupante do Palácio do Planalto, seja ele quem for?
Aí a coisa muda de figura, pois retira da candidatura de Dilma o único argumento que efetivamente a sustenta, uma vez que ela não tem como provar que é capaz de governar o país, mesmo porque nunca governou sequer um Estado e nem mesmo um pequeno município.
Já Serra, se adotasse tal postura, teria um argumento decisivo no fato de que o governo Lula continuou o governo FHC e foi graças a isso que obteve o êxito que obteve.
Já imaginou se ele tivesse acabado com o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o superavit primário, o Proer e a política de juros do Banco Central, que viabiliza a luta contra a inflação? Foi o temor de que Lula não desse continuidade ao governo anterior que provocou a crise de 2002; continuidade que, na verdade, vem desde o governo Itamar Franco, e que permitiu ao Brasil enfrentar com êxito a crise de 2008.
Logo, se Lula, adversário feroz do governo FHC, o continuou, não há por que Serra não faça o mesmo com respeito ao governo Lula, que deu continuação às políticas implantadas pelo governo do PSDB.
Pois bem, se José Serra assumir claramente esse opção, como ficará a candidatura de Dilma? O fato de Lula afirmar que ela é a continuação de seu governo não é garantia de que ela será capaz de fazê-lo e com a inventividade necessária. O eleitor certamente perguntará: qual dos dois candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?
Se levar em conta a história de um e de outro candidato, a folha de serviços de cada um deles, poderá optar por Serra, cuja competência como gestor público está comprovada, no exercício destacado das funções de ministro da Saúde, prefeito e governador de São Paulo, além da atuação parlamentar de indiscutível eficiência.
Por outro lado, como pode Dilma convencer o eleitor de que é mais capaz que Serra de exercer as funções de presidente da República? Só a palavra de Lula não basta, já que tem interesse em manter o poder nas mãos de seu partido. Durante a campanha na TV, poderá o PSDB demonstrar que Dilma nunca desempenhou o papel que Lula lhe atribui (mãe do PAC etc.), porque a Casa Civil, que ela chefiou, tem funções de mera assessoria do presidente. Não realiza nada.
Isso sem lançar mão de outro argumento, de grande importância para o país, que é a alternância dos partidos no poder, que a vitória de Serra implicaria. Esse é um fator decisivo para a saúde do regime democrático, porque viabiliza o desmonte do aparelhamento da máquina estatal pelo partido (ou pelos partidos) que fique no poder por longo tempo.
FERREIRA GULLAR
Folha SP 16-07-2010
Qual dos candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?
ATÉ O MOMENTO em que escrevo esta crônica, a situação dos dois principais candidatos à Presidência da República continua indefinida. A menos que haja uma súbita mudança na avaliação deles pelo eleitorado, a disputa deve se manter acirrada até o último momento.
Na opinião de Lula e do PT, Dilma Roussef vencerá o pleito e até, dizem eles, no primeiro turno. É natural que o digam, ainda que da boca para fora, porque se deixarem transparecer a mínima dúvida quanto à vitória, sua candidatura se desfará como um castelo de cartas.
E a razão disso é que essa candidatura se apoia única e exclusivamente na possibilidade de transferência da popularidade de Lula para a candidata que ele inventou.
Ela mesma, Dilma, nunca pretendeu candidatar-se a nenhum cargo eletivo, muito menos ao posto supremo da nação. Lula a inventou candidata apesar disso, mesmo porque não havia muito o que escolher dentro de seu partido.
A hipótese de Lula é que, apresentando Dilma como a continuadora de seu governo, que conta com mais de 70% de aprovação, ela seria eleita. Parece lógico, mas talvez não seja tão simples quanto parece.
Tudo depende de como o eleitor receberá a proposta de Lula, e depende também de como o candidato do PSDB se comportará em face dela. Se José Serra, de fato, não confrontar a tese de Lula, ela prevalecerá e Dilma terá grande chance de vencer as eleições. Mas e se, ao contrário, ele achar que a história não é bem assim, se entender que a continuidade administrativa é uma norma a ser seguida pelo futuro ocupante do Palácio do Planalto, seja ele quem for?
Aí a coisa muda de figura, pois retira da candidatura de Dilma o único argumento que efetivamente a sustenta, uma vez que ela não tem como provar que é capaz de governar o país, mesmo porque nunca governou sequer um Estado e nem mesmo um pequeno município.
Já Serra, se adotasse tal postura, teria um argumento decisivo no fato de que o governo Lula continuou o governo FHC e foi graças a isso que obteve o êxito que obteve.
Já imaginou se ele tivesse acabado com o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o superavit primário, o Proer e a política de juros do Banco Central, que viabiliza a luta contra a inflação? Foi o temor de que Lula não desse continuidade ao governo anterior que provocou a crise de 2002; continuidade que, na verdade, vem desde o governo Itamar Franco, e que permitiu ao Brasil enfrentar com êxito a crise de 2008.
Logo, se Lula, adversário feroz do governo FHC, o continuou, não há por que Serra não faça o mesmo com respeito ao governo Lula, que deu continuação às políticas implantadas pelo governo do PSDB.
Pois bem, se José Serra assumir claramente esse opção, como ficará a candidatura de Dilma? O fato de Lula afirmar que ela é a continuação de seu governo não é garantia de que ela será capaz de fazê-lo e com a inventividade necessária. O eleitor certamente perguntará: qual dos dois candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?
Se levar em conta a história de um e de outro candidato, a folha de serviços de cada um deles, poderá optar por Serra, cuja competência como gestor público está comprovada, no exercício destacado das funções de ministro da Saúde, prefeito e governador de São Paulo, além da atuação parlamentar de indiscutível eficiência.
Por outro lado, como pode Dilma convencer o eleitor de que é mais capaz que Serra de exercer as funções de presidente da República? Só a palavra de Lula não basta, já que tem interesse em manter o poder nas mãos de seu partido. Durante a campanha na TV, poderá o PSDB demonstrar que Dilma nunca desempenhou o papel que Lula lhe atribui (mãe do PAC etc.), porque a Casa Civil, que ela chefiou, tem funções de mera assessoria do presidente. Não realiza nada.
Isso sem lançar mão de outro argumento, de grande importância para o país, que é a alternância dos partidos no poder, que a vitória de Serra implicaria. Esse é um fator decisivo para a saúde do regime democrático, porque viabiliza o desmonte do aparelhamento da máquina estatal pelo partido (ou pelos partidos) que fique no poder por longo tempo.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
O poder do voto
Por Eduardo Aguiar
Cada um de nós é livre para votar de acordo com as suas convicções e conveniências.
No entanto, gostem ou não, as pesquisas mostram que só existem 2 candidatos com reais chances de serem eleitos nessa eleição: Serra ou Dilma.
E o que está em jogo nessa eleição é:
A continuidade versus A alternância do poder.
E Marina Silva como a fiel da balança nessa eleição.
Digo apenas isso.
Por outro lado, para quem não é eleitor do PT e de fato discorda dos rumos do governo atual e não deseja a sua continuidade, saiba que não vai adiantar para a consciência se Dilma eleita for, dizer depois que "fez a sua parte" votando em Mariana Sillva se Marina Silva não tinha a mínima chance de ser eleita ou que votou nulo ou em branco.
Particularmente sou pela alternância de poder. Votaria em Zé Mané para presidente se preciso fosse se Zé Mané fosse quem tivesse mais chances de tirar do poder essa "quadrilha" que atualmente comanda esse país, e que quer se perpetuar no poder através de Lula e agora com Dilma.
Cada um de nós é livre para votar de acordo com as suas convicções e conveniências.
No entanto, gostem ou não, as pesquisas mostram que só existem 2 candidatos com reais chances de serem eleitos nessa eleição: Serra ou Dilma.
E o que está em jogo nessa eleição é:
A continuidade versus A alternância do poder.
E Marina Silva como a fiel da balança nessa eleição.
Digo apenas isso.
Por outro lado, para quem não é eleitor do PT e de fato discorda dos rumos do governo atual e não deseja a sua continuidade, saiba que não vai adiantar para a consciência se Dilma eleita for, dizer depois que "fez a sua parte" votando em Mariana Sillva se Marina Silva não tinha a mínima chance de ser eleita ou que votou nulo ou em branco.
Particularmente sou pela alternância de poder. Votaria em Zé Mané para presidente se preciso fosse se Zé Mané fosse quem tivesse mais chances de tirar do poder essa "quadrilha" que atualmente comanda esse país, e que quer se perpetuar no poder através de Lula e agora com Dilma.
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